quinta-feira, 23 de julho de 2015

36 Anos, 36 Histórias

Capítulo 2

Por esta altura voltei aos estudos.
Foi o início do 12º ano de escolaridade - em 1980 - necessário para o acesso à Universidade.
Na Argibay estava na oficina, sempre que necessário dava um pulo até à beira do Tejo, mas nada como no início.
Recordo-me que trabalhei quase três dias seguidos 24 sobre 24 horas - para se cumprirem os prazos de entrega do primeiro - de nome Cacilhense - dos vários cacilheiros que foram entregues à Transtejo.
Descobrindo que eu andava a estudar, o Chefe Augusto convidou-me para trabalhar com o Senhor Rei - ambos já faleceram - na secção que controlava os tempos gastos com cada obra em curso.
Era o chamado apontador.
Lá estive durante umas semanas a aprender o trabalho, até que ele me disse “Como vais ficar por aqui e como daqui a pouco me vou reformar, podes deixar o fato macaco em casa e trazer uma roupa diferente”.
Desconfiando assim o fiz, mas quando o Chefe me viu sem o macaco questionou-me do motivo.
Expliquei-lhe que fora o Senhor Rei que me tinha dito que não era preciso.
Ela olhou para mim e disse-me: “Amanhã trás o fato macaco e vem ter comigo”.
Estive um mês na prensa, o pior e o mais perigoso local da oficina, onde a marreta de sete quilos estava sempre de serviço.
Passado este espaço de tempo, o Chefe chamou-me, mandou-me guardar o fato macaco e regressar à escrita, onde fiquei até março de 1982, altura em que deixei a Argibay.
Como a malta dizia para gozar comigo, durante quinze dias trabalhei com uma caneta diferente.

Sem comentários: