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quinta-feira, 1 de março de 2007

O Futuro

Será assim o futuro?

Vou-lhe pedindo: "Então Ricardo, para quando mais uma poesia?". Ele gosta de escrever desta forma, eu nem por isso.
Mas acho graça às coisas que ele escreve. Vai mais um exemplo.



O Futuro

O futuro
entrelaçado
com o presente.
Desligado
do passado.
Oh! meu Futuro
como irás ser?
Será que me deixas ter
o que espero
realmente obter?

Não sejas assim,
não te faço mal,
porque tentar ver o impossível
é banal, é surreal!

Deixei-me sentir!
Deixei-me olhar!
Quero sentir
abraçar, tocar, beijar
tudo o que não vejo,
mas sinto,
nesse teu
misterioso amar...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Um dia

A imaculada amizade Não sou um apaixonado por poesia, da mesma forma que, apesar de lhe reconhecer o imenso talento, não sou leitor de Fernando Pessoa. Contudo há poemas e poemas. Este, que me chegou através de um amigo, é sobre ele, é sobre os nossos amigos. Sem mais palavras...

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do
companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas
cartas que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este
contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias
e perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
-"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"

A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.

E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a isolada do
passado.

E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a
causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se
morressem todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

A esfera negra

Uma esfera inspiradora Cedo conheceu as primeiras palavras, através do jornal A Bola, entre os dois e os três anos de idade. O gosto pela língua portuguesa foi aumentado. Mais tarde chegou a poesia. Fica aqui um exemplo, com a promessa de mais.

Aqui vou eu,
no aconchego
deste mundo ambulante,
com um sorriso nos lábios,
pensando
na esfera negra, brilhante,
com vida.

Depois de entrar na
nuvem envelhecida, vou em
ritmo lento,
de forma a ver a paisagem nocturna,
reluzente
num momento.

Cheguei ao
rectângulo branco.
E a esfera negra na
minha direcção. O que fazer?
Vou, não vou?
E com um batimento fortemente suave,
acaba esta “viagem”…

Ricardo Paulino

domingo, 5 de novembro de 2006

A Matemática da Paixão

Um cruzamento feliz Matemática e poesia, duas artes, muitas vezes incompreendidas. Talvez, retratadas desta forma, tornar-se-iam, facilmente, numa paixão, assim...

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade

Como aliás, em qualquer
Sociedade.
(autor desconhecido)