sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Criancinhas

Este texto chegou-me só hoje ao conhecimento. Porque não leio a Visão.
O jornalista Miguel Carvalho escreveu, a revista publicou em 01/03/2007.
Como só deixo posts de artigos com os quais concordo, aqui está este.
Numa altura em que o Governo se prepara, através de incentivos financeiros, para tentar aumentar a natalidade.
Bom, seria que escolhesse a via educacional, não para a dilatar a família, mas para aumentar a formação, leia-se educação de pais e filhos.

A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal. Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha? Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo.
E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

Ribeira Grande - Açores

12 de Outubro

Há 209 anos, nasce em Queluz, Dom Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, que viria a ser o primeiro Imperador do Brasil, como D. Pedro I e o 28º Rei de Portugal, como D. Pedro IV.
Morreu com 35 anos.

in O Leme

Papua Nova Guiné / Paraguai



quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Puto

Gosto de discutir com ele.
Sobre futebol, hóquei ou outro desporto, sobre a escola, a minha e a dele.
Gosto de lhe dar conselhos, saber como correu a escola, os treinos, a natação.
Mas agora não consigo.
Saio com ele a dormir, chego, geralmente, já no dia seguinte, quando já descansa.
São os sacrifícios que fazemos para chegar ao fim da linha universitária, neste ramal.
Tenho saudades tuas, puto.

Praia da Vitória - Açores

11 de Outubro


Há 118 anos, morre James Prescott Joule, físico inglês.
Tinha 70 anos.

in Wikipédia

Palau / Panamá



A boina de Saragoça

Sonrié, estás en Zaragoza

É verdade que Saragoça é uma cidade bonita mas nem sempre dá para rir, pois os obstáculos são muitos, e ainda dizem que Portugal é um país de Terceiro Mundo.
Desde o primeiro dia que tentamos ter Internet em casa mas as burocracias são imensas. Primeiro uma conta num banco espanhol, depois um telemóvel, da rede de cá, claro, mas nem assim… o que nos tem valido é o nosso vizinho que por vezes - nem sempre - é simpático e nos dá oportunidade de falar com familiares e amigos.
Não obstante esta situação, temos tudo fechado durante a nossa hora do almoço, das 14h às 17h, incluindo farmácias. Durante este horário nada de ter qualquer tipo de dor, principalmente de barriga que são frequentes lá em casa!
Para além disso tudo, sinto-me em família, a começar pelo autoclismo que é igual ao da minha querida avó. Voltamos por isso à idade da pedra usando o baldinho para poupar um pouquinho de água, pois o autoclismo gasta muito água.
Ah… é verdade, compramos uma televisão, um plasma de última geração e com novas tecnologias a começar pelo seu tamanho e pela sua cor pancromática. Parece um autêntico rádio da idade média pois até para encontrar a TVE temos de rodar, rodar, rodar e voltar a rodar.
A semana passada foi marcada por um enorme temporal, veio uma enorme porrada de água que inundou grande parte da cidade o que nos obrigou a pensar seriamente em comprar uma daquelas galochas lindíssimas que andamos a namorar desde que chegamos.
Por isso já sabem, quando quiserem visitar Saragoça tragam chapéus-de-chuva, galochas e pernas boas para andar.
Para a semana mais aventuras virão...
Besos de Zaragoza.
Hasta Jueves

Cláudia Paulino

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Moinhos de vento

Final do dia na UAL, no dia dos Ateliers, de TV e Rádio. O Prof João de Sousa pediu-nos para, em dez minutos, escrever-mos um texto para gravarmos. Hoje só podia sair este. Estou a meio caminho. Horizonte lunar, recheado de pedras. Estrada sinuosa, sempre ao longo de duas faixas de rodagem. Cento vinte, cento e trinta. Aumenta a velocidade e a ansiedade. Já passámos da meia-noite. É dia 10 de Outubro. Os moinhos de vento modernos anunciam a chegada a Saragoça. Mais uma hora e vou lá estar. Vou beijá-la várias vezes. As lágrimas vão correr...de alegria. E vou-lhe dizer...parabéns FILHA.

Dia zero

Os mil quilómetros que nos separam neste dia, escolhido pelo teu pai, para ser o teu dia de nascimento, fizeram com que voltasse aqui para recordar o teu dia zero.
Sem me alongar muito, pois que a memória já vai deixando muitas recordações pelo caminho.
Dia definido, clínica de São Gabriel, bem perto da Portugália - mesmo a calhar - mas as horas a passar e o tal dia dez a caminhar para o seu fim.
Eram vinte e três horas e cinco minutos.
O Dr. Gonçalo deixou-me assistir à cesariana.
Branquinha, quase careca, choro fácil, passaste pela minha frente pela primeira vez.
Menina nascida e lá fomos beber umas imperiais.
À tua saúde.

Povoação - Açores

10 de Outubro

Há 194 anos, nasce Giuseppe Verdi, compositor de óperas do período romântico italiano.
Morreu com 87 anos.

in Wikipédia

Omã / Paquistão



Vinte e um anos

Foram precisos vinte e um anos para não te dar um beijo no dia dos teus anos.
Os meus sentimentos hoje estão baralhados.
Triste por estar longe de ti e não te puder dar aquele miminho, no dia do teu aniversário.
Alegre por saber que estás a fazer uma coisa que gostas e pela qual tanto lutaste.
Parabéns filhota.
Mil besos.

Olhar Jovem

A partir dos meus cinco anos, fui presença assídua ao lado do meu pai, quando ele ia fazer relatos de futebol.
Lembro-me que no lugar do pendura - já que o carro só tinha 2 lugares - nem chegava com os pés ao chão e eu era muito chato: “Quando é que chegamos? Falta muito?”, eram as frases mais repetidas nas viagens.
Agora deixámos de ir aos relatos por indisponibilidade do meu pai, devido à Universidade.
Normalmente acompanhávamos as equipas da região para a Íris FM: Vilafranquense, Samora Correia, Benavente, etc. Na equipa de Vila Franca de Xira, um dos últimos treinadores dos jogos a que assisti era o Rui Vitória (sim, esse mesmo, o que treina actualmente o Fátima, da Liga Vitalis). Sempre gostei de o ver, era um bom treinador, a equipa é que não ajudava.
Agora é o meu Director de Turma na escola. Ainda há pouco mais de três semanas, cometeu a proeza de ganhar ao bi-campeão nacional, o FC Porto, para a Taça da
Liga.
Senti-me feliz, uma espécie de: “Eu conheço-o!”
Força stor.

Ricardo Paulino

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ponta Delgada - Açores

9 de Outubro


Há 746 anos, nasce D. Dinis que foi o sexto rei de Portugal.
Filho de D. Afonso III e da Infanta Beatriz de Castela, neto de Afonso X de Castela, foi aclamado em Lisboa em 1279. Recebeu o cognome de O Lavrador.
Morreu com 64 anos.

in Wikipédia

Nigéria / Noruega



O Canto da Princesa

Quem me conhece sabe que sou doida por automóveis.
É verdade, na brincadeira costumo dizer que na minha casa quem escolhe e cuida dos carros sou eu. Além disso gosto de conduzir, é um dos grandes prazeres que tenho. Dizem que gosto de pisar o acelerador, mas são tudo bocas da oposição, do género masculino, se me faço entender.
Serve esta introdução e no seguimento do texto publicado pelo Tio Jorge há alguns dias atrás, sobre o civismo do povo português, para exprimir a minha frustração e irritação pelos condutores da faixa do meio. Se têm três faixas porque andam na do meio? Oh tortura! Deve ser porque no meio está a virtude. Não deixam de ser uns grandes empatas e um perigo constante.
Hoje deixo mais um exemplo do que é não saber viver em sociedade.
Também inclui carros mas desta vez o estacionamento e toca-me bem de perto.
O sítio onde habito é fechado, de acesso a quem apenas nele habita. Na entrada para as garagens existe um passeio rebaixado que, logo desde a primeira reunião, ficou decidido que não seria para estacionamento, mas sim para cruzamento de veículos. Pois é, mas a falta de civismo é isto mesmo. Raro é o dia em que pelo menos um dos meus caros vizinhos não deixa lá a sua bomba.
Ainda melhor é que, os que prevaricam, têm garagem. Tudo bem, expliquem-me como se fosse muito burra. É para vermos a marca dos carros ou é preguiça de os arrumar?
Como só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja, nem quero ver o dia em que uma ambulância ou outro veículo do género precisar de entrar...

Célia Paulino