segunda-feira, 10 de março de 2008
domingo, 9 de março de 2008
Ouro e bronze
Numa altura em que vamos passando, no nosso País por momentos complicados, estes dois atletas vão-nos dando as alegrias que precisamos para subir o astral. A sportinguista Naide Gomes, na prova de salto em comprimento dos Campeonatos do Mundo de Pista Coberta, que hoje terminaram em Valência, Espanha, conquistou a medalha de ouro com a marca de 7.00 metros.
Este resultado já começa a ser habitual nesta atleta, vencendo numa competição onde era uma das favoritas.
Também favorito era o benfiquista Nélson Évora, actual campeão do Mundo de triplo-salto e detentor das melhores marcas do ano nesta especialidade e também no salto em comprimento, ao ar livre. Contudo, desta vez o atleta português não foi além do 3º lugar com a marca de 17.27 metros, numa prova ganha pelo britânico Phillips Idowu, com 17.75 metros.Parabéns aos dois.
Ponto e vírgula
Com a saída da Célia das participações no Tio Jorge, rapidamente recebi centenas de propostas para preencher o espaço.Depois de uma análise, exaustiva, da qualidade dos concorrentes, foi escolhido o Ouriço para deixar por aqui as suas opiniões, que não vão ser consenssuais, mas serão as suas.
Assim, vão acontecer algumas alterações nas participações semanais.
O Olhar jovem do Ricardo mantêm-se à 4ª feira, o novo espaço, Os picos do Ouriço, surgirá à 5ª, passando A boina de Saragoça, da Cláudia, para o dia seguinte.
Um beijinho especial para o Ouriço que passa a fazer parte desta equipa.
Agenda Setting
Uma manifestação que concentrou 100.000 professores, em Lisboa, vindos dos quatro cantos do País, merece destaque neste espaço habitual.Tendo nascido em época de repressão, saúdo efusivamente todos os tipos, dentro das regras, que os cidadãos encontram para mostrarem à opinião pública o que lhes vai na alma.
Contudo, os temas em discussão, motivadores destas expressivas atitudes, têm que ser compreendidos pela maioria, onde eu não me incluo.
Explico. Nos dias de hoje, a maioria das grandes empresas já possuem avaliação das capacidades profissionais dos seus colaboradores, com influência nas suas carreiras, feita por colegas de profissão, hierarquicamente superiores. Pode até não se concordar - eu próprio tenho algumas reservas - mas também não consigo encontrar um método que seja isento de algumas injustiças. Mas tem que haver constatação das valências de cada um.
Ora isto é o que os professores não querem.
Eles protestam contra a avaliação, mas já ouviram os sindicatos apresentarem soluções? Já ouviram professores apresentarem alternativas?
Não querem que sejam as organizações dos Pais, não querem que sejam os alunos, não querem que as notas dos alunos tenham influência, finalmente, não querem que outros professores analisem o seu comportamento como docentes.
Para mim está perfeitamente claro.
Os professores não querem ser avaliados.
Alguém me explica porquê?
Penso, logo...
"Quando se busco o cume da montanha, não se dá importância às pedras do caminho."
(Autor desconhecido)
(Autor desconhecido)
sábado, 8 de março de 2008
Após a fuga do Sol
Penso, logo...
"O costume de guiar-se sempre pela consciência, chama-se rectidão. Manifesta-se no amor à verdade e dá uma grande beleza e fortaleza ao carácter."
(Juan Luis Lorda)
(Juan Luis Lorda)
sexta-feira, 7 de março de 2008
Após a fuga do Sol
Ponto e vírgula
Um Ponto e vírgula bem mais extenso que o habitual, para deixar um texto de Clara Ferreira Alves.Não deixe de ler e aproveite para reflectir sobre a nossa Europa e os seus políticos.
Os homens europeus descem sobre Marrocos com a missão de recrutar mulheres. Nas cidades, vilas e aldeias é afixado o convite e as mulheres apresentam-se no local da selecção. Inscrevem-se, são chamadas e inspeccionadas como cavalos ou gado nas feiras. Peso, altura, medidas, dentes e cabelo, e qualidades genéricas como força, balanço, resistência. São escolhidas a dedo, porque são muitas concorrentes para poucas vagas.
Mais ou menos cinco mil são apuradas em vinte e cinco mil. A selecção é impiedosa e enquanto as escolhidas respiram de alívio, as recusadas choram e arrepelam-se e queixam-se da vida. Uma foi recusada porque era muito alta e muito larga. São todas jovens, com menos de 40 anos e com filhos pequenos. Se tiverem mais de 50 anos são demasiado velhas e se não tiverem filhos são demasiado perigosas.
As mulheres escolhidas são embarcadas e descem por sua vez sobre o Sul de Espanha, para a apanha de morangos. É uma actividade pesada, muitas horas de labuta para um salário diário de 35 euros. As mulheres têm casa e comida, e trabalham de sol a sol. É assim durante meses, seis meses máximo, ao abrigo do que a Europa farta e saciada que vimos reunida em Lisboa chama Programa de Trabalhadores Convidados. São convidadas apenas as mulheres novas com filhos pequenos, porque essas, por causa dos filhos, não fugirão nem tentarão ficar na Europa. As estufas de morangos de Huelva e Almería, em Espanha, escolheram-nas porque elas são prisioneiras e reféns da família que deixaram para trás.
Na Espanha socialista, este programa de recrutamento tão imaginativo, que faz lembrar as pesagens e apreciações a olho dos atributos físicos dos escravos africanos no tempo da escravatura, olhos, cabelos, dentes, unhas, toca a trabalhar, quem dá mais, é considerado pioneiro e chamam-lhe programa de "emigração ética". Os nomes que os europeus arranjam para as suas patifarias e para sossegar as consciências são um modelo. Emigração ética, dizem eles.
Os homens são os empregadores. Dantes, os homens eram contratados para este trabalho. Eram tão poucos os que regressavam a África e tantos os que ficavam sem papéis na Europa que alguém se lembrou deste truque de recrutar mulheres para a apanha do morango. Com menos de 40 anos e filhos pequenos. As que partem ficam tristes de deixar o marido e os filhos, as que ficam tristes ficam por terem sido recusadas. A culpa de não poderem ganhar o sustento pesa-lhes sobre a cabeça. Nas famílias alargadas dos marroquinos, a sogra e a mãe e as irmãs substituem a mãe mas, para os filhos, a separação constitui uma crueldade. E para as mães também. O recrutamento fez deslizar a responsabilidade de ganhar a vida e o pão dos ombros dos homens, desempregados perenes, para os das mulheres, impondo-lhes uma humilhação e uma privação.
Para os marroquinos, árabes ou berberes, a selecção e a separação são ofensivas, e engolem a raiva em silêncio. Da Europa, e de Espanha, nem bom vento nem bom casamento. A separação faz com que muitas mulheres encontrem no regresso uma rival nos amores do marido.
Que esta história se passe no século XXI e que achemos isto normal, nós europeus, é que parece pouco saudável.
A Europa, ou os burocratas europeus que vimos nos Jerónimos tratados como animais de luxo, com os seus carrões de vidros fumados, os seus motoristas, as suas secretárias, os seus conselheiros e assessores, as suas legiões de servos, mais os banquetes e concertos, interlúdios e viagens, cartões de crédito e milhas de passageiros frequentes, perdeu, perderam, a vergonha e a ética. Quem trata assim as mulheres dos outros jamais trataria assim as suas.
Os construtores da Europa, com as canetas de prata que assinam tratados e declarações em cenários de ouro, com a prosápia de vencedores, chamam à nova escravatura das mulheres do Magreb "emigração ética". Damos às mulheres "uma oportunidade", dizem eles. E quem se preocupa com os filhos? Gostariam os europeus de separar os filhos deles das mães durante seis meses? Recrutariam os europeus mães dinamarquesas ou suecas, alemãs ou inglesas, portuguesas ou espanholas, para irem durante seis meses apanhar morango? Não. O método de recrutamento seria considerado vil, uma infâmia social. Psicólogos e institutos, organizações e ministérios levantar-se-iam contra a prática desumana e vozes e comunicados levantariam a questão da separação das mães dos filhos numa fase crucial da infância. Blá, blá, blá. O processo de selecção seria considerado indigno de uma democracia ocidental.
O pior é que as democracias ocidentais tratam muito bem de si mesmas e muito mal dos outros, apesar de querem exportar o modelo e estarem muito preocupadas com os direitos humanos. Como é possível fazermos isto às mulheres? Como é possível instituir uma separação entre trabalhadoras válidas, olhos, dentes, unhas, cabelo, e inválidas? Alguns dos filhos destas mulheres lembrar-se-ão. Alguns dos filhos destas mulheres serão recrutados pelo Islão. Esta Europa que presume de humana e humanista com o sr. Barroso à frente, às vezes mete nojo.
Penso, logo...
“O optimismo é a fé em acção. Nada se pode levar a efeito sem optimismo.”
(Hellen Keller)
(Hellen Keller)
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