quarta-feira, 8 de maio de 2019

Números

UTAO fez as contas: recuperar carreiras custa 398 milhões líquidos

Os 800 milhões de euros de despesa para a recuperação do tempo total congelado aos professores - que, segundo o ministro das Finanças e o próprio primeiro-ministro, tornariam o país ingovernável - não ponderam o que o Estado receberia de volta em IRS e Segurança Social.

De acordo com a UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental), a recuperação integral do tempo de serviço dos professores e de outras carreiras profissionais custaria, em termos líquidos, 398 milhões de euros em "ano de cruzeiro".

Primeiro Mário Centeno, e depois António Costa - que usou, aliás, estas contas para justificar a ameaça de demissão -, têm falado sempre em 800 milhões de euros (resultantes da soma da devolução dos nove anos, quatro meses e dois dias aos professores, e às outras carreiras especiais). A UTAO toma "como boas" as previsões do Ministério das Finanças (804 milhões de euros) escrevendo que "não tem motivos para duvidar delas e não tem capacidade para as auditar, mesmo que tivesse mais tempo para completar este estudo".

No exercício que faz a Unidade Técnica de Apoio Orçamental contabiliza as ​receitas de IRS e as contribuições para a Segurança Social que o Estado receberia de volta durante o processo.

Portugal sairia ainda deste impacto financeiro com um saldo positivo de 0,1% do PIB em 2020, o que se situa apenas duas décimas abaixo do que estipula o Programa de Estabilidade de Mário Centeno.

in TSF

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