sexta-feira, 17 de maio de 2019

Um olhar alentejano

Uma notícia recente fez-me lembrar - vá-se lá saber porquê - a anedota do vendedor à porta de um Banco.
Um senhor vendia castanhas quando um amigo chegou por perto e lhe pediu dinheiro emprestado.
"Não posso", respondeu-lhe, sendo que perante a indignação do amigo, ele explicou" Fiz um acordo com o Banco. Nem eu empresto dinheiro, nem eles vendem castanhas".
Vem isto a propósito de uma publicação do Patriarcado de Lisboa no Facebook onde apelava ao voto no CDS, Basta e Nós Cidadãos, tendo em causa assuntos como aborto e a eutanásia.
Considerado que vivemos num estado laico, imaginem este cenário.
Um qualquer partido lembrava-se de apelar aos seus simpatizantes, pedindo-lhe que eles apoiassem uma outra qualquer religião, diferente da cristã.
Poderiam até ir mais longe e pedir-lhes para deixassem de frequentar a Igreja.
O que diria o Patriarcado de Lisboa?
Se acham que podem interferir nas decisões pessoais, sabendo nós o peso que estas opiniões têm nos crentes, sujeitam-se a isto acontecer.
A publicação foi, entretanto, retirada, o gabinete de comunicação do Patriarcado admitiu que se tratou de "uma imprudência", mas para mim o mal já estava feito.
Como dizemos muitas vezes, cada macaco no seu galho.

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