domingo, 12 de maio de 2019

Um olhar alentejano

Enquanto estava a ver a audição parlamentar - que não vai servir para rigorosamente nada - ao Joe Berardo, recordei-me do meu passado bancário.
Com um orgulho imenso nos meus 33 anos na Caixa Geral de Depósitos, ia ouvindo os desvarios do Comendador e pensando em situações que se tinham passado comigo, claro, numa dimensão de agência pequena.
Sempre fui irreverente, o que me penalizou imenso, mas com a convicção de ter sido muito competente e responsável nas decisões que tomei.
Uma das críticas que recebi foi a de defender operações - rentáveis para o Banco - contra a opinião do meu superior hierárquico.
Operações com garantias reais, clientes sem mácula, mas que não encaixavam na ideia de quem estava acima.
Quem aprovou as operações de Joe Berardo?
Como foi possível aprová-las sem garantias reais, ou no caso de elas serem pessoais, deixando a possibilidade de elas fugirem através dos estratagemas usados por aqueles não nunca vão querer pagar?
Alguns deles até sei quem são.
São aqueles que me diziam que para subir na carreira era preciso estar disponível para aparecer, fora do horário de trabalho, nos locais onde os engravatados, com poder decisivo na minha carreira, passavam mais tempo que na Caixa.
Ainda hoje é assim!

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