terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

O Melhor Pé Esquerdo de Oriola


Hoje começo pelo jogo da Liga dos Campeões em Alvalade e vou dividir em três a minha análise.

A primeira tem a ver com a minha memória de benfiquista, pois ver no Manchester City quatro antigos jogadores dos encarnados, deixa-me sempre uma pequena nostalgia, misturada com indignação.

Com Jorge Jesus no epicentro das decisões, Ederson só foi titular porque Artur Moraes se lesionou, Rúben Dias conseguiu escapar a Jesus, Bernardo e Cancelo tinham pouca qualidade para o Rei da Tática.

A segunda prende-se com as reações, dos jogadores e dos bancos, às decisões da equipa de arbitragem, comparativamente com as provas domésticas.

A única diferença é que por cá o crime compensa, enquanto que nas competições europeias os castigos fazem mossa, obrigando os intervenientes no jogo a terem um comportamento que deveria ser sempre assim.

Em terceiro lugar, num estádio cheio, composto por perto de três mil ingleses, os adeptos sportinguistas deram um exemplo do que é o desportivismo no futebol.

No final de uma partida em que a sua equipa foi goleada, reconheceram a superioridade do adversário, despedindo-se da equipa com cânticos de agradecimento à postura da formação leonina, o que por ser raro merece destaque.

 

O CANTINHO LUSO de hoje, que está sempre a espreitar o que fazem os portugueses lá por fora, vai dar destaque a dois jogadores que pertencem à equipa mais lusa fora de portas, aliás o Wolverhamton tem habitualmente mais nascidos em Portugal a titular que muitas equipas nacionais.

Mas o destaque de hoje vai ser repartido entre Rúben Neves e Podence que marcaram os golos da sua equipa no fim de semana, com o Wolves a subir na tabela classificativa.

 

Em cima do que aconteceu no Dragão, que à minha maneira vou denominar de Caso de Embalar, surgiu uma decisão final do Caso Palhinha.

Aparentemente não têm nada a ver um com outro.

Não estou de acordo.

Vamos lá recuperar o Caso Palhinha, que muitos já não se recordam.

Na época passada o médio leonino viu o quinto cartão amarelo, que o suspendia por um jogo, precisamente frente ao Benfica.

O Sporting apelou para o Conselho de Disciplina da Federação que manteve o castigo, de seguida recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) e interpôs uma previdência cautelar que evitasse a suspensão.

O TAD achou-se competente, com o argumento difícil de compreender, pois alegou que “não se tratava de uma questão meramente desportiva”, mas como não tinha tempo útil para decidir, encaminhou o pedido para o presidente do Tribunal Central Administrativo Sul, que também se achou competente, aceitando o pedido, num célebre despacho emitido a um domingo, permitindo que o jogador pudesse jogar.

O mesmo Tribunal, sete meses depois, vem por unanimidade referir que nem o presidente à época, nem o TAD tinham competência decisória, o jogador recorreu para o Tribunal Supremo Administrativo que, também numa decisão unânime, veio dar razão Federação Portuguesa de Futebol, considerando que o jogador devia ter cumprido o jogo de castigo, mas como a acumulação de cartões amarelos não contam para a época seguinte, o castigo não pode cumprido.

Aqui está a semelhança entros os dois casos.

Como aconteceu no Caso Palhinha, quando forem conhecidos os castigos finais do Caso de Embalar, vão existir recursos e mais recursos, juízes e mais juízes incompetentes e tudo vai ficar arquivado no fundo da triste disciplina do nosso futebol.

  

Quando criei este espaço no Pé Esquerdo, tinha a secreta esperança de que em algumas semanas não tivesse como o ocupar, mas não está fácil.

O QUE MAU de hoje aconteceu em Moreira de Cónegos, onde o treinador da casa, Ricardo Sá Pinto, e o treinador de guarda-redes do FC Porto, Diamantino Figueiredo, trocaram uns empurrões que não chegaram mais longe porque foram impedidos por elementos das duas equipas.

Mais um mau exemplo para o nosso futebol.  

 

Há um paradigma por cá que os jogos dos campeonatos distritais são de canela até ao pescoço, com um público arruaceiro e onde ninguém tem respeito por ninguém.

No domingo estive a fazer narração – para o Facebook do Oriolenses - de um jogo realizado em Santiago do Escoural, uma simpática aldeia do concelho de Montemor-o-Novo.

O que vos vou contar nos próximos segundos parece ficção, mas foi a mais pura das realidades.

As duas equipas lutam pela manutenção, pelo que a guerra pelo ponto está acesa, mas o que passou no sintético do Parque 25 de abril foi um exemplo do que deviam ser todos os jogos de futebol.

Perante um árbitro jovem e pouco experiente que apitava, mesmo quando existiam pequenos contactos não faltosos, não me recordo de ter visto um único protesto de qualquer jogador.

A equipa da casa sofreu o empate após uma grande penalidade, que não mereceu qualquer contestação, nem dentro do campo, nem nas bancadas, numa partida com uma boa moldura humana, considerando o nível da competição.

Foi a segunda vez que estive neste campo, sendo que o local para trabalhar é no meio do público.

Sabem quando dei por ele?

Quando terminou o jogo e um senhor me veio dar os parabéns pelo nosso trabalho e me ofereceu uma cerveja.

Na despedida falei com o presidente do Estrela Escouralense, agradecia-lhe a simpatia como nos receberam, tendo aproveitado para o questionar como era possível aquela forma de estar no campo de futebol.

A resposta dele foi exemplar: “Sabe Amigo, nós gostamos muito de futebol, mas não queremos ganhar a qualquer preço”.

 

Se sair de Lisboa, chega ao nosso destino do GPS desta semana em pouco menos de uma hora.

Vamos olhar para o Clube Desportivo e Recreativo Águas de Moura, um clube da Associação de Futebol de Setúbal que milita na 1ª divisão distrital e ocupa nesta altura o 4º lugar.

A localidade pertence à União de Freguesias de Poceirão e Marateca – concelho de Palmela – cuja população cresceu 3,8% nos últimos dez anos, tendo por agora pouco mais de 8800 habitantes.

Por esta hora chega a altura de procurarmos um local para tomar uma refeição, sendo que mesmo à beira da estrada tem o Restaurante Cantinho do Céu.

Fica a sugestão.

 

No CANTO DA PALERMICE de hoje vou sentar alguns jornalistas.

Não vou individualizar, porque são tantos os que dizem isto, que me faz arrepiar todo o corpinho.

Eu sei que os portugueses têm aversão à matemática, mas num jogo de futebol que vale três pontos, quando existe um empate virem dizer que houve uma divisão pontual, deixa-me com os nervos em franja.

Será que cada formação fica com ponto e meio?

 

Contrariamente ao que é habitual, O VELHO do hoje não vai ser atribuído a um jogador que resolveu um jogo com uma pirueta.

Ele vai para David Carmo, jogador do SC Braga, que mais de um ano depois de uma arrepiante lesão – aconteceu a 10 de fevereiro do 2021 - voltou no domingo à titularidade, mostrando que está totalmente recuperado.

 

Até para a semana.

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