Quem acompanha mais de perto o futebol já ouviu falar no fair play financeiro.
Para aqueles que não sabem o que é, explicando de uma forma muito fácil, nenhum clube pode ter mais despesas do que receitas num exercício anual.
Até aqui tudo normal, aliás como acontece na gestão do nosso orçamento em casa, tudo isto, claro, em situações de cumprimento das leis.
Aqui começa o problema.
Há vários anos que o dinheiro carregado de petróleo árabe – e não só – adquiriu clubes de futebol, sendo os mais badalados o Manchester City e o Paris Saint-Germain.
Utilizando todos os estratagemas e manigâncias contabilísticas, tem conseguido passar pelos pingos da chuva, até porque os petrodólares vão conseguido comprar quase tudo.
Uma investigação da UEFA veio agora descobrir o que já toda a gente sabia, ou seja, o Manchester City cometeu mais de 100 irregularidades financeiras entre 2009 e 2018.
Acredito que seja o primeiro de vários clubes a serem penalizados, esperemos que de modo exemplar.
Podemos concordar que o campeonato da Arábia Saudita não tem grande qualidade, nem muito impacto mediático, mas até num jogo entre Solteiros e Casados marcar quatro golos não é fácil.
Cristiano Ronaldo fez um poker na partida frente Al-Wedha, conseguindo o feito de ultrapassar a barreira dos 500 golos em campeonatos nacionais, merecendo o justo destaque no CANTINHO LUSO de hoje.
Não é um assunto novo, mas tem a coincidência de ser o mesmo clube a utilizar este estratagema legal ou um muito semelhante.
Vamos recuar à época 2020/21.
Palhinha, jogador do Sporting, viu um quinto cartão amarelo, que o retirava do derby na jornada seguinte.
O clube recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), pedindo a aceitação de uma providencia cautelar, que teria efeitos suspensivos.
O pedido foi analisado pelo Tribunal Central Administrativo do Sul (TCAS), este suspendeu a decisão do TAS, mas alegou não ter competências sobre competições desportivas, mas confirmando a manutenção do cartão amarelo, castigo que Palhinha nunca cumpriu.
Se correu bem uma vez – para as cores verde-e-brancas – porque não tentar de novo?
Desta vez o protagonista é Paulinho, o estratagema é idêntico, e à hora que escrevo este texto – quatro de tarde de 5ª feira – ainda não há decisão.
Para mim tudo era muito fácil de resolver.
Se os órgãos jurídicos desportivos não analisam casos dos tribunais civis, porque raio o contrário é possível?
A resposta, na minha opinião, chega através de um ditado português.
Cada macaco no seu galho!
Todos os Clássicos são importantes, mas o deste fim de semana tinha um caracter crucial para as duas equipas.
O brasileiro Pepê (FC Porto) marcou o golo decisivo e fica com o VELHO desta semana.
Depois de há duas semanas ter criticado neste espaço Frederico Varandas, presidente do Sporting, ficava-me mal não o fazer o mesmo relativamente às declarações do seu homólogo do Benfica, Rui Costa, no final do jogo da Taça de Portugal em Braga.
Não o disse na altura, mas digo-o agora, tudo isto não passa de estratégia de comunicação, mas não deixa de ser uma forma de pressão sobre os árbitros.
Reforçando a minha antiga ideia, de que só temos moral para nos queixarmos quando fizermos o mesmo em caso de benefício, estas declarações deviam ser penalizadas.
Mas qual é o problema de um presidente, diretor de comunicação ou, até o treinador, ser penalizado com um castigo que não enfraquece a equipa?
Já sei que por esta altura vocês já estão a dizer, “... mas Jorge isso não acontece em nenhum campeonato”, mas, provavelmente, a nossa Liga é aquela em que o nível de critica atinge limites a roçar o inacreditável, já para não falar dos comentadores dos clubes, em estúpidos programas, apelidados, de desportivos.
Obviamente que não há soluções milagrosas para resolver, de forma definitiva, o problema, mas que tal retirar um pontinho na classificação, por exemplo, quando existem declarações como as proferidas por Varandas e Costa?
Impossível, pois são os clubes que definem o regulamento disciplinar da prova.
Até para a semana.
Sem comentários:
Enviar um comentário