segunda-feira, 28 de julho de 2025

Segunda-Feira, Porquê?


Cortar às Postas

 

Como já o expliquei diversas vezes, quem estudava em Alverca por alturas da Revolução, e que tinha uma Mãe que tinha medo que eu andasse de comboio, só se podia ser mecânico ou eletricista.

Nada contra estas duas extraordinárias profissões, mas sempre fui mais rapaz de letras, apesar de nunca ter tido um objetivo laboral, pois nesses tempos não havia a filtragem que existe nos dias de hoje, onde a juventude vai fazendo escolhas desde muito cedo.

Quando eu já me aproximava dos trinta, percebi que o jornalismo era aquilo que eu queria fazer, mas já era tarde para deixar as tarefas bancárias e enveredar por essa área, sem que me saísse o Totoloto, até porque nessa altura não havia Euromilhões.

De forma amadora, e quase sempre não renumerada, fui seguindo essa paixão tardia, que cedo ganhou grande ânimo com um curso do Cenjor, que foi ministrado nas instalações da Rádio 2000 em Alverca, nos meses anteriores à legalização das rádios piratas.

Entre os monitores estava Adelino Gomes, um dos grandes nomes do jornalismo português, aprendemos todos muito com ele, sendo que algumas das suas frases ficaram para sempre na minha memória, como “cem palavras, são cem palavras, dois minutos, são dois minutos”, para nos alertar para a importância do tempo em rádio, comparado com um texto para imprensa escrita.

Outros dos ensinamentos que nunca mais me esqueci, e que tantos vezes recordo, são expressões que me irritam e que oiço quase diariamente, como esta: “A TAP tem cerca de 99 aviões...”, proferida pelo Ministro da tutela aquando do anúncio da privatização parcial da empresa há umas semanas.

Em que ficamos? Cerca de 99!? São 98 e meio?

Recordo o Adelino sempre nos dizer, quando não sabemos o número exato, por não ser conhecido ou difícil de apurar, devemos enquadrar, como neste caso, referindo: “... perto de 100 aviões”. 

Outros exemplos que me irritam: “Morreram cerca de 32 pessoas...”, não...,  não: “morreram três dezenas ou mais de trinta pessoas”, ou numa fuga de uma prova de ciclismo: “Estão isolados perto de 12 ciclistas”, em vez de explicarem que: “uma dezena de corredores estão na frente da corrida”, uma forma de ganhar tempo até termos o número exato.

As pessoas e os objetos não se devem partir aos bocados.

 

Para a semana há mais irritações.

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