Divórcio Caro
O problema de termos nascido há muitos anos, é que nos recordamos de anúncios como aquele do bacalhau, onde uma senhora diz qualquer coisa, do estilo, no tempo dela não era assim.
Reparem bem que eu comecei a trabalhar com 19 anos, nessa altura tudo era feito manualmente, computadores só na série Espaço 1999, onde o século XX era uma miragem onde todos nós viajaríamos no céu.
Quando eu entrei para a Caixa Geral de Depósitos, em 1982, as agências estavam a começar a ser informatizadas, um ano depois essa maravilha começou a chegar, mas durante muitos anos, a palavra offline era o terror dos bancários.
Muito rapidamente as coisas foram evoluindo, dez anos depois tive o primeiro telemóvel, fiz narrações, de ciclismo, com um tijolo móvel às costas, que no fim dos cinco dias, deixava-me dores nas costas para um mês.
Já não sei em que ano, fiz o primeiro contrato com uma operadora de telecomunicações, daquelas que ofereciam um pacote completo, TV, telemóvel e internet, com um preço fabuloso, mas obrigando, a essa palavra que nos irrita, uma fidelização, uma espécie de casamento para toda a vida.
Nesta altura do campeonato, referindo-me só às três principais operadoras em Portugal, sou cliente de duas, mas já passei pelo ficheiro de todas, mas porque não quero fazer publicidade a nenhuma delas, vou identifica-las por números, UM, DOIS e TRÊS, até para vos deixar a imaginar qual delas será.
Com a UM as coisas correram bem durante algum tempo, até me fazerem uma canalhice, daquelas que eu gritei: com esta nunca mais!
Mudei de imediato para a DOIS, uma das que ainda sou cliente, na minha opinião a melhor, mas quando nos mudámos, há sete anos, para o Alentejo, em Cabeça de Carneiro, só havia, em condições, a UM, pelo que mordi a língua e voltei para os braços dela.
Continuei aconchegado na UM até chegar a Oriola, meses mais tarde quis mudar de Satélite para ADSL, por sugestão dela, pois que a internet era mais estável se chegasse pelo chão.
Tudo o que tinha para correr mal, correu, deitaram-me o sistema abaixo antes da data definida, falharam duas vezes no agendamento, pelo que, depois de profundamente irritado, mudei para a TRÊS.
Fiz a respetiva reclamação, pois a respetiva fidelização com a UM estava em vigor, mas deram-se ao luxo de me apagar do telemóvel – não me perguntem como – as mensagens que me enviaram a dizer que estavam a chegar para fazer a instalação, principal argumento que eu tinha.
Nos dias de hoje estou na DOIS, que, tirando o facto de há umas semanas ter ficado oito dias sem serviço, sem ninguém percebesse o que se passava, não tenho grande razão de queixa.
Enquanto espero que a fibra aterre em Oriola, tenho uma certeza e uma dúvida.
Dormir com a UM nunca mais, mas porque será que hoje não podemos mudar de operadora, a qualquer altura, como acontece na energia elétrica, sem sermos penalizados?
Para a semana há mais irritações.

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