quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Crónicas do Bom Malandro


Ano Novo a Treze
 
(13/01/2026) Há por aí uma rapaziada que acha que gosta de ser diferente da maioria, não tenho nada contra, desde que isso não prejudique ninguém, como parece ser o caso de no dia de hoje se celebrar o Velho Ano Novo, ou Ano Novo Ortodoxo, pois estes cristãos celebram a entrada no ano seguinte treze dias depois do Ano Novo do calendário gregoriano. 
Como a diferença do calendário juliano para o gregoriano é de 13 dias, nos séculos XX a XXI, a data comemora-se a 13 de janeiro, contudo a diferença entre os dois calendários aumenta um dia a cada século, sempre que o número de centenas do ano não é um múltiplo de quatro, assim a partir de 2101 a data comemorar-se-á a 14 de janeiro.
A noite de 13 para quatorze de janeiro correspondente à chegada do Ano Novo pelo calendário juliano, sendo celebrada em países como a Rússia, Geórgia, Bielorrússia, Cazaquistão, Uzbequistão, Azerbaijão, Moldávia, Ucrânia, Sérvia, Macedónia, Montenegro, Bósnia e Herzegovina, Gales e Suíça.
Cá para mim para parece-me uma teimosia, mas pronto, se eles gostam assim, que façam mais logo a festa, ficando-me a dúvida se eles comem, ou não, as doze passas e pedem os desejos, coisa que já deixei de fazer há tempos.
Por cá já estamos a espreitar o 2026 há quase duas semanas, com o aléu a estar em grande movimento e a juventude a chegar sempre a horas.
“Boa noite Avô”.
“Olá, muito boa noite, tudo em forma?”.
“Está tudo bem”, confirmaram os quatro.
“Como fomos combinando no WhatsApp, como esta semana não tivemos Primeirona, e apenas alguns jogos de acerto de calendário da Segundona e Terceirona, vamos dar uma mãozinha ao AMAGADINHO que tinha um contentor de eles da Taçona, sendo que vamos fazer o que já aconteceu em situações semelhantes, ou seja, nós os três, vamos analisar dois jogos, assim como ele, que ainda tem a Quarteirona, sendo que o PIPOCA fica com as miúdas, como é habitual”.
“Certo, eu vou guardar os meus jogos para mais tarde e começo já por falar da competição dos mais novos, hoje vou olhar para os extremos da classificação, na zona norte Os Limianos continuam imbatíveis, enquanto o Académico procura a primeira vitória, depois do primeiro ponto, no centro, o Gulpilhares lidera sem derrotas e dois empates, já o Feira ainda procura o ponto inicial, na zona sul, os alentejanos de Grândola estão na frente, só tiveram uma igualdade, enquanto que a rapaziada de Vila Franca de Xira está como a da Feira, sete jogos, sete derrotas”, finalizou o AMAGADINHO. 
“Antes de irmos à Taçona, vamos lá saber como correram as competições femininas”.
“Tivemos mais uma jornada da Campeona, o Benfica recebeu as miúdas das saias, o Plegamans, deu um golo de avanço, mas venceu com conforto, estando na frente do grupo B no final da 1ª volta, também tivemos Taçona no feminino, dois jogos antecipados, relativamente ao fim de semana previsto, com o Tojal e Maia a seguirem para os quartos de final”, concluiu o PIPOCA.
“Vamos lá aos jogos da Taçona, sendo que cada um vai olhar para aqueles em que apostámos na Liga, começando pela LARANJINHA”.
“Em Espinho tivemos muito equilíbrio durante toda a partida, um empate ao intervalo, na segunda metade só um golo do Pacense, logo no reinício, o suficiente para seguir em frente, já no Pavilhão de Monte Santos os picoenses marcaram três golos sem resposta, com o Candelária a apurar-se para os oitavos de final, dois locais onde o Avô já foi muito feliz”, concluiu ela com uma gargalhada.
“Verdade, tanto em Sintra, como no Pico, só tenho boas memórias, e onde tenho alguns amigos, mas agora chegou o tempo de ouvirmos o PANCHITO”.
“Começo com um tomba-gigantes na Casablanca, a malta de Paço de Arcos conseguiu três golos de vantagem madrugadores, a rapaziada de Oliveira de Azeméis foi recuperando, conseguiu levar o jogo para prolongamento, mas nos penáltis apenas um remate certeiro deu a vitória aos da casa, já em Santiago do Cacém a vida do Parede foi, naturalmente, mas fácil, com outra equipa da Linha apurada”, fechou ele.
“Por falar em equipas da Linha, começo pelo jogo no Estoril, tivemos uma partida bem disputada, onde a eliminatória esteve sempre em aberto, mas o ribavenses foram mais fortes, na Feira, o Sporting não permitiu surpresas, regressando a casa com uma vitória tranquila e tempo de jogo para todos”, explicou o AMAGADINHO.  
“Agora é a minha vez, vou fechar a Taçona, em Marco de Canaveses tivemos um jogo muito azulado, a malta dos Carvalhos sentiu dificuldades, mas conseguiu resolver o assunto na segunda metade do jogo, na Terra dos Fenómenos foi tudo normal, com os azuis e brancos a conseguirem a maior goleada desta eliminatória, por último destaque para a Juventude Viana, imbatível na Segundona, eliminou o primodivisionário Sporting Tomar. Antes das despedidas, vamos à Liga do Avô, que teve esta semana um facto inédito”.
“Já sei, o Avô já não é o lanterna vermelha”, riu-se a LARANJINHA.
“Também, mas o PIPOCA acertou em cheio nos seus dois palpites”.
“Yes!”, exaltou ele.
“Vamos lá à classificação, o PIPOCA está mais na frente com 59 pontos, segue-se a LARANJINHA (52), AMAGADINHO (36), eu com 35 pontos e o PANHITO (34)”.
“O Avô este ano está a dar luta”, gritaram os quatro, numa enorme algazarra.
“Tenhan calma, que ainda falta muito campeonato”, brinquei eu. “Beijos, abraços e até sábado”.
“Adeus Avô”, despediram-se eles.

No primeiro FORA DO BANCO de 2026, temos um manual de excelentes ideias e convicções, além de gostarmos os dois de Torres Vedras e arroz de polvo.

Nome Completo: Fábio Carlos Espírito Santo Fernandes Ginha
Clube atual: Associação Hóquei Clube da Lourinhã
Idade: 39 anos
Local de Nascimento: Lisboa
 
Prato preferido: Arroz de Polvo
Melhor local para viver: Torres Vedras
Livro que está na mesa de cabeceira: Comunicar com Eficácia de Stephen Martin e Joseph Marks; Desperte o Gigante que Há em Si de Anthony Robbins
O filme que já viu mais do que uma vez: Transcendence: A Revolução
Jogou hóquei em patins? Se sim, em que clube(es): AE Física de Torres Vedras, Hóquei Clube da Lourinhã, Sporting Torres
Como/quando chegou a opção de ser treinador: Ainda nos escalões de formação, juvenil/júnior, fui desafiado pelo treinador Rui Mateus que me incentivou a dedicar-me ao treino, acompanhou e deu-me oportunidade para abraçar o primeiro desafio a solo no Hóquei Clube da Lourinhã
Clubes/seleções que já treinou: AE Física de Torres Vedras (Iniciação aos sub-17), Sporting Torres (Benjamins aos sub-13), Sport Alenquer e Benfica (Iniciação aos sub-15, Selecionador Zona Oeste (sub-15)
Mais fácil treinar equipas da formação ou seniores: Treinar equipas de formação ou seniores no hóquei em patins não é uma questão de ser mais fácil ou mais difícil, mas sim de serem realidades diferentes. 
Na formação, o foco está no desenvolvimento técnico, motor e humano, onde a criatividade, o detalhe e a pedagogia são centrais, e o treinador assume um papel claro de educador e formador. 
Já nos seniores, o trabalho é mais orientado para a performance, estratégia e resultados, com maior pressão competitiva e gestão de expectativas. 
Identifico-me mais com a formação precisamente pelo impacto que é possível ter em idades jovens: ajudar a construir bases sólidas, estimular a criatividade e contribuir para o crescimento desportivo e pessoal dos atletas, um contexto exigente, mas profundamente gratificante, onde o progresso individual vale tanto quanto o resultado coletivo
Quanto tempo demora a preparar o próximo jogo da sua equipa: A preparação do próximo jogo não começa na semana da competição, mas sim na planificação anual. 
O maior investimento é feito na definição do macrociclo, realizada entre julho e agosto, onde são estabelecidos os objetivos gerais e específicos, particularmente relevantes nos escalões de formação, em que o desenvolvimento do atleta é prioritário face ao resultado imediato. 
Ao longo da época, o microciclo semanal é ajustado por equipa, tendo em conta as unidades de treino planeadas e as características do adversário, sem desvirtuar os objetivos específicos definidos. 
Sempre que a equipa adversária apresenta maior ou menor qualidade técnico-individual, procede-se a reajustes pontuais na abordagem semanal.
Em média, o tempo de preparação situa-se em cerca de 3 horas por equipa por semana, distribuídas pela planificação das unidades de treino, diagnóstico do momento da equipa, visionamento e análise de vídeo, análise estatística e conteúdos de preparação global 
Se pudesse, que regra alteraria no hóquei em patins: Não se trata de uma alteração às regras de jogo propriamente ditas, mas sim de uma revisão da regulamentação das transferências, sobretudo nos escalões de formação. 
Defendo que a compensação aos clubes formadores não seja feita em valor monetário para as Associações, mas através de materiais de proteção individual e material desportivo destinados diretamente aos clubes que desenvolvem o trabalho de base. 
Esta solução reconheceria o papel formativo dos clubes, promoveria melhores condições de treino e segurança para os jovens atletas e contribuiria para um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável da modalidade
Maior tristeza como treinador: A maior tristeza como treinador é ver jovens atletas abandonarem a modalidade, não por falta de talento ou paixão, mas por fatores externos: pressão excessiva por resultados, decisões desportivas pouco ajustadas à idade, desigualdade de oportunidades ou contextos que deixam de colocar o atleta no centro do processo. 
Para quem trabalha na formação, custa especialmente perceber que um percurso que podia ser rico em aprendizagem, prazer e crescimento pessoal termina cedo demais, muitas vezes antes de o potencial desportivo e humano se poder revelar
E, claro, a maior alegria: A maior alegria como treinador é acompanhar a evolução dos atletas, ver o progresso diário - técnico, tático e humano - e perceber que o trabalho realizado deixa marca muito para além do resultado. 
É assistir ao momento em que uma criança ganha confiança, toma decisões melhores em jogo, ajuda um colega ou simplesmente descobre prazer em treinar e aprender. 
Na formação, essa alegria está sobretudo em formar pessoas através do desporto, sabendo que, independentemente do caminho competitivo que sigam, levam valores, hábitos e aprendizagens que perduram no tempo
Para terminar, o que mais o irrita durante um jogo: O que mais me irrita durante um jogo é quando o processo de formação é secundarizado pelo resultado imediato: decisões apressadas, perda de identidade coletiva ou comportamentos que não refletem o que foi trabalhado no treino. 
Em contexto de formação, custa ver o medo de errar, limitar a criatividade e a tomada de decisão dos atletas, muitas vezes influenciado por pressão externa. 
Para quem acredita num modelo centrado no atleta, o jogo deve ser uma extensão do processo de aprendizagem, não um momento de bloqueio ou contradição.

A SACADA aconteceu no Entroncamento, um Cais de Alhandra de golos, com destaque para Tiago Simões (7) e Alexandre Marques (7), guarda-redes da equipa da casa.

Quando despedi a PENÙRIA no início do ano, era na perspetiva de a NÉPIA me dar menos trabalho, mas saiu-me o tiro pela culatra, pois, repentinamente, tivemos um aumento de equipas a não sofrer golos, só me referindo às competições nacionais, pois já percebi, que só por cá, já tenho lenha que chegue para me queimar.
Dois ditados populares depois, vamos lá perceber quem mantive as balizas a zeros esta semana, começo pela Quarteirona, com Diogo Figueiredo e Tomás Marrafa (Grândola), Martim Pereira e Miguel Portela (Académica), David Fernandes (Tojal) e Tiago Abreu Moreira (Lavra), na Terceirona, Miguel Pereira Peca (Tojal) e Domingos Rafa Soares e Guilherme Gomes (Paredes), já na Taçona feminina tivemos Clara Carvalho e Helena Sousa (Maia), enquanto que na masculina temos Miguel Rocha (Candelária) e Leonardo Pais (FC Porto).
Volta PENÚRIA que estás perdoada.

Num jogo a eliminar, que chega ao desempate para grandes penalidades, quem marca o golo decisivo fica na história do apuramento, mas se for o único, o mérito ainda é maior.
Na Taçona tivemos dois jogos que chegaram lá, no Seixal só à décima tentativa Tiago Pereira Bolinhas (Póvoa) conseguiu marcar, já em Paço de Arcos foi ao contrário, Bruno Frade, jogador da casa, marcou o primeiro, sendo que mais ninguém gritou golo nas outras nove hipóteses.
Para o Tiago e para o Bruno vai O VELHO para cada um.

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