Cantora Dina morre aos 62 anos
A
cantora Dina, que venceu o Festival da Canção da RTP e participou no
festival da Eurovisão em 1992, morreu na noite de quinta-feira no
Hospital Pulido Valente
Morreu aos 62 anos a cantora Dina. Estava internada no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, e morreu na noite de quinta-feira.
A
cantora sofria de uma fibrose pulmonar grave e estava a precisar de
transplante de pulmão urgente. Tinha a doença há 12 anos, mas
ultimamente a situação agravara-se e precisava de andar com uma garrafa
de oxigénio todo o dia.
"Limita-me muito. Não se tem força para muita coisa", disse a cantora em entrevista à
TV 7 Dias.
Para celebrar os quase 40 anos de carreira da cantora e compositora,
cerca de 15 músicos portugueses juntaram-se no Teatro São Luiz, em
Lisboa, e no Teatro Rivoli, no Porto, em 2016.
O seu nome verdadeiro era Ondina Maria Farias Veloso, mas ficou conhecida no meio musical como Dina quando cantou
Amor de Água Fresca no Festival da Canção em 1992, 12 anos depois de ter ganhado visibilidade no Festival da Canção da RTP com o tema
Guardado em Mim.
Nascida
a 18 de junho de 1956 em Carregal do Sal, distrito de Viseu, iniciou a
sua atividade como compositora em 1975, no Quinteto Angola, e gravou o
seu primeiro EP [obra musical que contém mais músicas do que um
single] no ano seguinte, para a editora Alvorada, ainda sobre o nome artístico de Ondina. Mais tarde, destacou-se com discos como
Dinamite (1982),
Aqui e Agora (1991),
Guardado em Mim (1993) e Sentidos (1997).
A
cantora Ana Bacalhau, que participou em dois concertos de homenagem a
Dina com a presença da própria, lamentou a perda. "Conheci-a
pessoalmente aquando do espetáculo que fizemos a homenagear a obra da
Dina, o Dinamite, em 2015. E repetimos em 2016, sempre com a presença
dela. Conheço a obra dela quase desde que nasci, foi uma obra importante
para mim. Era uma mulher autora e cantora, com canções que pertencem ao
nosso cancioneiro. A Dina foi importante para mim no meu crescimento e
acho que para muita gente, para toda uma geração. Conhecê-la em 2015 foi
fantástico, porque era uma pessoa incrível, de uma amizade e um carinho
incríveis e de grande talento, com uma voz maravilhosa e aquela forma
de estar e de interpretar dela. Foi mesmo bonito sentir a amizade que
estava a crescer entre todos nós e que ela estava feliz com o que estava
a acontecer e com o que estávamos a fazer com a obra dela", afirmou ao
DN a artista que ficou celebrizada como vocalista do grupo Deolinda.
O
antigo líder do CDS Manuel Monteiro diz que existia entre ambos "muito
respeito", apesar de "defendermos coisas muito diferentes na vida",
incluindo "as opções sexuais". Dina era assumidamente lésbica "sem ter
necessidade de causar espalhafato com Isso", sublinha Monteiro.
A
ligação da cantora ao partido data da altura da liderança de Monteiro no
início dos anos 90. O antigo dirigente do CDS-PP conta ao DN que foi
Dina quem abordou o então seu braço direito e mais tarde líder
parlamentar da bancada, Jorge Ferreira, a propor-lhe compor um novo hino
para o partido porque "se identificava muito com as ideias do Dr.
Manuel Monteiro". A proposta foi aceite e Dina desafiou Rosa Lobato
Faria a escrever a letra e assim nasceu o novo hino do PP.
"Nunca
me pediu nada, foi tudo gratuitamente. E só mais tarde percebi que tinha
sido prejudicada por se ter aproximado do CDS-PP. As músicas dela
começaram a passar menos na rádio. Mas nunca se queixou",- afirma Manuel
Monteiro.
Mais tarde, depois de ter deixado a liderança do CDS, e
na altura da fundação da Nova Democracia foi Monteiro quem a desafiou a
compor o hino do novo partido. A cantora respondeu logo "sim".
Também
o antigo vice-presidente da comissão política nacional do CDS e
ex-Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, enalteceu a
obra da cantora e compositora, considerando que Dina "nunca conseguiu
encontrar o reconhecimento devido, acantonada numa equivoca categoria
muito em voga nos anos 80 de música popular portuguesa". "Classifico o
seu primeiro álbum,
Dinamite, de extraordinário, tristemente
esquecido até há uns poucos anos, revisitado pelos melhores nomes da
atual música portuguesa", frisou.
"A morte de Dina toca a memória
coletiva das canções românticas, cantadas ao desafio entre amigos,
catalisadoras de comunidades efémeras", disse, numa nota de pesar
enviada às redações, a ministra da Cultura, Graça Fonseca.
"Pelas
suas letras, bem como nas suas interpretações, passava uma alegria
contagiante na relação com a vida, a amizade e o amor que, muitos anos
depois, seriam a marca distintiva de um percurso que pautou sempre pela
discrição", acrescenta.
O
velório da cantora Dina, que morreu na quinta-feira, aos 62 anos,
realiza-se a partir das 17.00 desta sexta-feira na Igreja Paroquial de
São Tomás de Aquino, em Lisboa, disse à agência Lusa fonte próxima da
família.
Segundo a mesma fonte, o funeral, reservado a familiares e
amigos da cantora, está marcado para as 14.00 de sábado, no Cemitério
dos Olivais.
in DN