quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Ouriço

Já tardava.
Em rádio, ouvimos uma voz e imaginamos como será o personagem.
Nos blogues, personificamos quem está do lado de lá do teclado, projectado na forma como escreve.
Talvez por ter tido acesso a informação privilegiada, mas nunca fotográfica, a minha imaginação não se tornou surpresa.
O Ouriço já era assim para mim.
Parabéns.

Lagoa - Açores

4 de Outubro

Há 61 anos, um ciclone de extraordinária violência assola os Açores.
Embora não tivessem sido contabilizados desastres pessoais, os prejuízos materiais foram enormes: inúmeras casas ficaram danificadas em diversos pontos do arquipélago, o grande hangar do Aeroporto de Santa Maria foi completamente destruído, afundaram-se 20 batelões e lanchas de pesca, encalhou um iate e ficaram destroçadas dezenas de outras embarcações.

in O Leme

Marrocos / Moçambique



A culpa é dele

Todos os que lidam de perto comigo sabem o que penso do Nuno Gomes. Eles dizem-me: É pá ele é um grande benfiquista", ao que eu respondo: "Também eu e não jogo no Benfica".
Ontem na aula de Atelier de Rádio, fizeram-me chegar um texto publicado no DN, que espelha na perfeição a inutilidade do capitão encarnado.
Concordo totalmente e assino por baixo.

O receio do Benfica era a falta de entrosamento Edcarlos/Luisão. Preocupação falsa. O essencial era haver entrosamento Edcarlos/Edcarlos. E, esse, houve. Edcarlos é como se fosse um Eduardo Carlos compacto, entrosado. Por ali, no centro, atrás, o Benfica está servido. O problema é o centro, à frente. Minuto 56: Rui Costa remata forte e Stojkovic defende mas larga a bola para a pequena área. Lugar da verdade do ponta-de-lança. Se este tem lá uma oportunidade, não falha. Excepto, claro, se for Nuno Gomes. Definição de Nuno Gomes: alguém que afasta a melena dos olhos, admirado por ter falhado qualquer coisa, e faz esse gesto 137 vezes por época. Esse, nunca poderia chamar-se Nugomes. Tipo menos entrosado consigo próprio não há. Deve pronunciar-se "Nuno e Gomes", com "e" onde se tropeça. Minuto seguinte: Di Maria arranca pela direita, já está dentro da área, deveria ter chutado mas passou para Nuno Gomes. Um defesa corta, sem culpa nenhuma de Nuno Gomes. Definição de Nuno Gomes: aquele que mesmo quando não tem culpa, tem. Se não tivesse pensado nele, Di Maria teria chutado e o Benfica ganhava.

Fernando Ferreira, in Diário de Notícias

A boina de Saragoça

A minha primeira fuga de casa a sério.

Pois é, foram muitos aqueles que não acreditaram que um dia fosse capaz de sair de casa da mamã. Aqui estou eu a 1000km de distância na pacata cidade de Saragoça (Zaragoza em castelhano).
É verdade que é muito deserta, mas por aqui reina a atitude zen, não há melhor sitio para encontrar a paz de espírito.
Localizada na depressão do Ebro, rodeado por montes e montanhas dista apenas 300km das mais importantes cidades espanholas como Madrid, Barcelona, Valência e Bilbau. Devido a esta localização, a cidade vai acolher a próxima exposição mundial, a Expo 2008, que tem como titulo "Agua e Desenvolvimento sustentável".
O primeiro contacto com a cidade deu-se no dia 15 de Setembro, depois de 11 horas recolhidas dentro de um autocarro cheio de pessoas. Sete malas bem grandes, rodas tortas com o peso, dois táxis, um deles uma carrinha, guiaram-nos ao nosso destino: Calle de Eloy Martinez.
De rastos subimos até ao modesto segundo andar, onde nos esperavam um casal de espanhóis muito simpático, como sinal de boas vindas "cascamos" a porta e logo nos relembraram da coima de 100€ em casa de danos materiais.
A barriga já dava horas, partimos em busca de um restaurante, o eleito foi o McDonalds... andámos, andámos, andámos, andámos e andámos, até que o encontramos (depois de alguns dias, descobrimos um McDonalds a 5 minutos de casa). Depois de um almoço calórico na companhia dos pombos, partimos à aventura pela parte histórica da cidade.
Encontrámos a frase perfeita para o próximo capitulo: "Sonríe, estás en Zaragoza".
Besos de Zaragoza.
Hasta Jueves.

Cláudia Paulino

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Olhar Jovem

Fez ontem uma semana que o meu colega de baliza, o André Valério, se lesionou na mão direita a andar de mota. Teve azar, uma lesão logo no início da época.
Por este motivo, terei de ocupar as redes alenquerenses durante cerca de um mês. Mais pressão, mais responsabilidade.
Quando soube da notícia, pensei que estivessem a brincar. Fiquei nervoso e pensei para mim próprio: "Aproximam-se jogos difíceis e sou eu que vou para a baliza!"
Mas esse nervosismo passou e estou pronto para tudo, começando este fim-de-semana com o Sintra e o Sporting.
As melhoras Vavá.

Ricardo Paulino

Corvo - Açores

Olhar ao espelho

Não era, na minha modesta opinião, um escritor/jornalista cujos textos fossem fáceis de ler e absorver.
Li as suas crónicas jornalísticas, durante algum tempo, apesar de ter sido num passado distante.
Mas este texto que agora me enviaram, após o seu recente falecimento, retrata de forma tão correcta a nossa sociedade, que não hesitei em disponibilizá-lo, apesar da sua dimensão.
Leio-o com atenção.
O verdadeiro olhar ao espelho.

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem
como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não
serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão
que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está
em nós. Nós como povo.

Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde
a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o
euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais
apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito
aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão
ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos
passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL,

DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras
particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para
casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e
tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e
para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se
frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde
os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há
pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e
depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.

Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem
que é muito chato ter que ler) e não há consciência nem memória
política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham

dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem
para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações
médicas podem ser compradas, sem se fazer qualquer exame. Um país
onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma
criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro,
enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-
lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro
e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas
estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso
os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como
pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito
para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é
culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje
pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me
ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como matéria-prima de um país, temos muitas coisas boas, mas falta
muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa.

Esses defeitos, essa CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA congénita ,
essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até
converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de

qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou
Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são
portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em
outra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o
próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma
matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não

poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém
possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho
destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo,
ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não
serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a
alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com
a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.

E enquanto essa outra coisa não comece a surgir de baixo para cima,
ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram,
seguiremos igualmente condenados, igualmente
estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa Portugalidade
autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de
desenvolvimento como Nação, então tudo muda.

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos
portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que
temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o
que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas
de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a
indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem,
francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão
para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e
que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o
responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME
OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!


Eduardo Prado Coelho - In Público

2 de Outubro

Há 138 anos nasce Mahatma Gandhi, que foi um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano.
Morreu com 78 anos.

in Wikipédia

Moldávia / Mónaco



O Canto da Princesa

O início da minha vida profissional teve por base aquilo que julgava ser um sonho. O jornalismo.
Aos dezasseis anos julgamos já saber alguma coisa da vida, é certo, mas as idas para a rádio eram sempre cheias de alegria e vontade de dizer algo aos ouvintes, mais que não fosse, notícias que já tinham passado em alguma rádio nacional à uma hora atrás.
As ondas piratas proporcionaram-me um tempo inesquecível. Foram muitas as pessoas que conheci e trabalhei. Algumas com quem fiz amizades que durarão para sempre. Outras com quem tive o prazer e o orgulho de partilhar experiências de vida.
O microfone era a minha ferramenta e se fosse no estúdio era espectacular. No aquário sentia-me como peixe na água, mas na rua era bem diferente.
Ainda experimentei a escrita sendo a primeira correspondente da zona de Vila Franca de Xira do jornal Público mas, o jornalismo é um bicho que corre nas veias e ou se nasce com ele ou não. Decididamente não corre nas minhas.
Não era para mim, embora o meu companheiro de vida e de tantas horas de rádio achasse o contrário. Ele era uma espécie de fã incondicional. Foi a rádio que nos juntou. Ele sim. Ele tem o dito bichinho. Já não vai a tempo de fazer da sua actividade profissional o seu eterno amor, a rádio, mas a oportunidade surgiu para fazer um curso sobre o que mais gosta, o jornalismo.
Foi assim que nasceu este blogue, com esta aventura universitária que começou na UnI e agora continua na UAL.
É verdade que a família tem saudades do Tio Jorge durante a semana mas compensa e muito ver o prazer que sente.
Pois bem, em jeito de comemoração pelo primeiro aniversário, a família foi convidada a participar. Aceitei o desafio, com algumas reservas, pois a responsabilidade é grande.
Parabéns Tio Jorge por este blogue que é um bocadinho de ti e também de todos nós!

Célia Paulino

domingo, 30 de setembro de 2007

E vão quatro

Chega a notícia com alguns dias de atraso, propositadamente.
Estive a aguardar a chegada de um registo fotográfico para ilustrar a boa nova.
A Francisca, a minha terceira afilhada, de um total de quatro que me chamam de padrinho, nasceu no passado dia 18 de Setembro.
Agora, nas Lajes do Pico, nos Açores, tenho três afilhados, pois a recém-nascida veio juntar-se à Catarina e ao Pedro, filhos dos nossos compadres Isabel e Emanuel.
Como é comum referir nestas circunstâncias, que a felicidade seja um denominador comum pelas bandas de lá.