Chegou
a receber a extrema-unção, depois de um acidente grave, mas
seis
semanas depois já estava de regresso às pistas. A história de vida de
Niki Lauda, uma das maiores lendas da Fórmula 1.
Estreou-se na disciplina máxima do
automobilismo em 1971 e conquistou a primeira vitória três anos mais
tarde. Niki Lauda, que foi campeão do mundo pela Ferrari em 1975,
protagonizou um dos mais arrepiantes acidentes da Fórmula 1 no circuito
alemão de Nurbürgring, em 1976, quando o monolugar se incendiou na
sequência de um despiste.
Com
graves queimaduras, que lhe desfiguraram o rosto, Lauda sobreviveu -
chegou a receber a extrema-unção - e seis semanas volvidas estava de
regresso às pistas ao volante do Ferrari 312 T2, para ser, de novo,
campeão do mundo em 1977. Um título conquistado no derradeiro grande
prémio e por um escasso ponto em luta com James Hunt.
Retirado
das pistas em 1980 e 1981, período em que fundou a Lauda Air, companhia
vocacionada para voos charter, regressou em 1984 para ser, de novo,
campeão. A luta com o colega de equipa na McLaren, Alain Prost foi
renhida e no final a diferença entre ambos foi de ... um ponto!
No
ano seguinte, retirou-se em definitivo, após ter participado em 171
grandes prémios, em que obteve 25 vitórias, 54 pódios e 24 pole positions.
Para sempre ficou a imagem de um lutador, senhor de grande espírito
de ação e com uma enorme vontade de viver. Os épicos duelos com James
Hunt, imortalizados no filme Rush, e com Alain Prost ficaram para a
história de uma Fórmula 1 marcada por ídolos, rivalidades e duelos
fantásticos, algo que hoje pouco se vê.
Nesses tempos contava a
bravura, o destemor e o virtuosismo, ter «mãozinhas», mas a segurança e a
eletrónica acabaram por sobrepor-se.
Desde o acidente de Lauda
algo foi mudando em termos de segurança. A conceção dos monolugares, no
sentido de permitir a saída dos pilotos em caso de incêndio, o desenho
dos circuitos, com largas zonas de escapatória, a obrigatoriedade do uso
de fatos antifogo; o desaparecimento das pistas citadinas - o Mónaco é
hoje a exceção - cockpits mais altos, o sistema HANS de proteção do
pescoço, a obrigatoriedade da existência de um centro médico e da
presença de um helicóptero medicalizado em todos os autódromos foram
ganhos significativos neste domínio tão sensível.
Os resultados
acabaram por comprovar o acerto de tais medidas: na década de 1970 do
século passado, houve 10 acidentes mortais; entre 1980 e 1989,
registaram-se quatro mortes, entre elas as de Ayrton Senna e de Roland
Ratzenberger no GP de San Marino (1994) em Imola; O número baixou para
metade entre 1990 e 1999.
Na primeira década do século XXI não houve acidentes fatais, tendo o último vitimado Jules Bianchi, em 2015, no Japão.
Uma vez retirado das pistas e para além da faceta de empresário da aviação, Niki
Lauda continuou a ser uma das mais destacadas figuras do paddock. Na
qualidade de consultor da Ferrai, moveu influências, em 1993, para a
contratação (concretizada) de Michael Schumacher.
Desempenhou, em 2001, a função de
team
principal da Jaguar e desde 2002, como administrador não executivo da
Mercedes-AMG F1 foi um dos artífices da hegemonia da marca alemã nos
últimos seis anos.
Com a morte de Niki Lauda desaparece mais uma
das figuras míticas da Fórmula 1, um piloto da estirpe de Juan Manuel
Fangio, Stirling Moss, Jim Clark, Jochen Rindt, Jackie Stweart, Gilles
Villeneuve, Jacky Ickx, Ayrton Senna, Alain Prost e Michael Schumacher.
Niki Lauda era pai de Mathias Lauda, colega de equipa de Pedro Lamy no Mundial FIA de Resistência.
O
antigo piloto foi sujeito a um transplante de pulmão no dia 3 de agosto
do ano passado e, após ter regressado a casa, em Ibiza, voltou em
janeiro passado para o hospital, debilitado por uma gripe. Vítima de uma
infeção pulmonar faleceu, aos 70 anos, em Viena, o tricampeão do mundo
de Fórmula 1, Niki Lauda.
in TSF