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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Um ano

O telefone tocou naquele dia frio, no final de 2006.
Era a Elsa.
Trazia uma notícia indesejada.
A Leonor tinha partido sem avisar.
Doze meses passaram.
Por ela, voltámos a ver os amigos da Rádio 2000.
Mas os dias, hoje, são cada vez mais curtos.
Precisamos de arranjar mais tempo.
Eu vou tentar.
Todos temos que tentar.
A minha recordação vai ser sempre assim.
Com os olhos nesta foto.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Definição de Avó

Enviaram-me este texto como sendo escrito por uma menina de oito anos e publicado num jornal regional.
Não sei se é verdade, mas que está engraçado, disso não tenho dúvidas.
Uma delícia.

Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem: "Despacha-te!".
Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes. Quando nos contam histórias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes.
As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, principalmente se não
tiver televisão.

domingo, 6 de maio de 2007

Uma dezena de alegria

No reino dos Touros, olhando o universo dos signos, estes dias são de aniversário.
Gosto de números redondos. 20 para a Claúdia, 15 para o Ricardo e desde hoje, 10 para Inês. Mana da minha filhota, irradia alegria e malandrice no fundo dos seus olhos bem vivos.
De entre o tempo que dedica à escola, encontra disponibilidade e gosto para a dança no rancho infantil de Alverca. Há pouco, de brincadeira com a Cláudia, perguntava-lhe: "A que lugar é que a Inês joga lá no rancho!?"
Imagino uma actuação dela, dançando com o par que lhe calha em sorte. Passo certinho e sem falhas. Cá para mim deve ser ponta-de-lança.
Parabéns miúda e muito juízo, tá?

sábado, 24 de fevereiro de 2007

De mansinho

O seu Alentejo de que tanto gostava Os meus olhos iam percorrendo as fotografias dos filhos, dispostas pela sua casa. As habituais. A infância, as férias, o casamento. O cheiro da saudade era intenso, misturado com as graças do Tomás.
A minha memória recuperava as ocasiões em que nos encontrámos, quase sempre em festejos natalícios.
Nestas alturas o elogio nasce fácil, perante o sabor efémero da vida. Mas ele era o que eu costumo definir como um "bonzão".
Respeitado por todos, família, amigos e vizinhos, não era fácil estar triste por perto dele.
Ao virar de uma esquina, longe do seu dia, partiu de mansinho.
Adeus Senhor Joaquim.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Até já

José António Nunes Vilaça Neste dia "agitado", para mim, fui-me despedir do Bacalhau. Difícil exprimir o que nos vai na alma nestas ocasiões. A Isa, sua mulher, foi descobrir, neste momento doloroso, perante a insensibilidade dos actuais responsáveis do Alhandra Sporting Clube, uma camisola que o Zé Antonio utilizou, num longíquo confronto para a Taça de Portugal com o Sporting, em pleno estádio de Alvalade.
Por ironia do destino, já em plena actividade radiofónica e com as botas quase arrumadas, fiz o relato desse encontro desequilibrado.
Depois de uns 11-0, a festa dos alhandrenses continuou, noite fora, cientes do dever cumprido.
Foste sempre assim na tua vida. Sorriso fácil, amizade ampla e sem tempo para rancores.
A camisola com que tu jogaste, nessa partida, foi contigo para o futuro.
Eu vou reconhece-la quando nos encontrarmos.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Adeus Bacalhau

Um jogo do Alhandra SC no campo da Hortinha A notícia chegou, esta manhã, de forma telegráfica, via SMS: "O Zé António Vilaça morreu". Uma forma estúpida de iniciar o fim-de-semana.
Uma amizade com mais de trinta anos, iniciada nos campos de futebol, consolidada ao longo dos anos. No mundo do pontapé na bola, todos o conheciam por Bacalhau, uma alcunha que perdurou.
Fui ao baú das fotos onde descobri esta. Mais um jogo na Hortinha, em Alhandra, pelo clube do seu coração, do meu coração. Nessa tarde o Zé era o capitão da nossa equipa, o quarto da parte de cima, a contar da direita.
Foram tantas as horas que passamos juntos e sempre tão boas.
Os 50 anos chegavam em Abril, mas os cruzamentos da vida não deixaram.
Um abraço amigo Zé e até um dia deste, num campo qualquer.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Os dois lados

Partiu há três anos
O Pantera negra Tenho as imagens na mente.
O último cartão amarelo.
O seu último sorriso, de criança.
A sua partida, brutal e dolorosa.
Miklos Fehér tinha 24 anos.

Hoje, Eusébio faz 65 anos.
Os dois lados da vida.
A tristeza e a alegria.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Solidariedade

Temos todos unir os nossos esforços Em conversa com um amigo, ontem à noite, contava-me ele o que lhe tinha acontecido na sua ida ao médico, a Lisboa. Explicou-me com um misto de raiva e saudade.
Nos tempos que correm, em que cada um desconfia do vizinho do lado, é bom saber que ainda há solidariedade.
Trata-se de uma história real. Leia...

Estação da CP, em Entrecampos. São 11:30, vou com tempo...pois o comboio é só às 11:57.
Já a tinha visto ao longe. Pelo porte fisíco, pelos óculos grandes, fez-me lembrar a minha falecida mãe. Ao aproximar-me deu dois passos na minha direcção. Fixei-a. Antes mesmo de dizer fosse o que fosse, percebi que não era uma pedinte normal:
«Senhor, por favor...», o braço estendido, cinco cêntimos na cova da mão que pareciam querer desmentir-me: «Sou das Caldas da Raínha, vim ao médico».
Do saquito, daqueles de papel, que se dão nas lojas, sobressaiam dois ou três, daqueles envelopes dos exames radiologicos: «Fui assaltada no metro, levaram-me a carteira». Não tinha, de facto, a habitual bolsinha que todas as mulheres usam: «Podia-me ajudar com alguma coisa para eu comprar o bilhete para as Caldas?».
Eu sei quando se pede por "ofício" e quando se pede, envergonhado, por necessidade:
«Quanto custa o bilhete?», perguntei, olhando a mísera moeda de cobre de cinco cêntimos que tinha na concha da mão: «Oito euros e 60...». Eu questionei-a: «Mas... foi roubada? Disse à polícia?». Resposta triste e evergonhada: «Sim, mas não podem fazer nada...».
E lembrei-me de quando a minha mãe ainda era capaz de ir sozinha para o IPO. Podia ter acontecido com ela.
E aquela mulher não o podia adivinhar.
Com cinco cêntimos na mão, obra, concerteza, do "descargo de consciência" de alguém que tinha chegado antes de mim, a pobre mulher nunca mais arranjava o dinheiro para poder voltar a casa: «Venha comigo», disse-lhe. E fui à bilheteira onde lhe comprei o bilhete. Da nota de dez euros sobrou 1,40 euros, que lhe dei: «Vá tomar um cafezinho, ou um chá... acalme esses nervos. Tenha cuidado com a mala, na próxima vez. E... tenha uma boa viajem. Fica mesmo nas Caldas? De lá não precisa ir para outro lado? Precisa de mais dinheiro?»
Não sei. Ela virou-me as costas para esconder o que era imposível esconder. Chorava.
Não fui capaz de ficar.
Virei-me, também eu e fui tirar o meu bilhete na máquina. Acendi um cigarro e subi a escadaria.
Se fosse a minha mãe, gostaria que a tivessem ajudado.
E eu não fiquei mais pobre.
Não sou de dar "esmolas" mas senti uma estranha calma interior.
Espero que a senhora tenha chegado bem a casa. E que consiga perceber que...não me ficou a dever nada.


Depois de ouvir a história, não resisti a partilhá-la com todos. Talvez porque ontem, umas horas antes, no supermercado, um homem recusou dar o seu lugar na fila, a uma senhora, que lhe pediu a vez, porque tinha deixado as duas filhas pequenas no carro, só para pagar três caixas de croquetes.
Porque deixámos de ser solidários?

domingo, 21 de janeiro de 2007

Não quero fazer outra coisa

Uma imagem da Feira do Relógio, em Lisboa O desafio, desta vez lançado pelo Professor Joaquim Vieira, constava em procurar o lado humano de um vendedor ambulante. E lá fui eu...

Manhã cedo em Alverca, começa a montagem da feira semanal. Ás oito e trinta, já muitas bancadas estão a aguardar pelos fregueses. Quinze minutos depois chega Zé Pedro, Olga Maria e os seus três filhos. O dia de trabalho começa agora.
A montagem da banca inicia-se de imediato, no lugar sessenta e dois, com a ajuda do Costa, companheiro de todos os dias, do Rui, que costuma aparecer por ali, juntamente com os filhos. O sol está envergonhado, pelo que a temperatura fria de uma manhã de Inverno, promove uma instalação rápida.
A preocupação com a imagem não existe. Casacos e casaquinhos, calças, saias, blusas e camisas, são o expoente da oferta, numa mistura de cores e feitios: “Malhas a 5 € e o resto a 10 €”, grita o Zé Pedro, mastigando a sua inseparável pastilha elástica. Os primeiros clientes vão surgindo, simultaneamente com os primeiros pregões: “Tudo a 3 €”, esganiça-se ao lado: “Quatro cuecas a 1 €”, grita-se em frente, numa ladainha que se repete manhã fora.
Alguns, mais retardatários, só chegam perto das dez da manhã. Rapidamente aparece alguém, como é habitual, a troco de alguns euros, para montar o local da exposição. Em poucos minutos, a oferta aumenta para os muitos que vão percorrendo a feira.
A Olga e o Zé não têm mãos a medir, com muita clientela. Apesar das dificuldades habituais da ressaca do Natal, o negócio parece correr bem. Mas logo chegam as queixas: “Os chineses dão-nos cabo de negócio”, referência aos preços praticados pelas lojas exploradas pelos asiáticos, em locais privilegiados.
O frenesim aumenta. No ar misturam-se os cheiros a suor e perfume, que se confundem, na passagem apressada dos visitantes. Procura-se seduzi-los, num marketing explicativo: “Foi tudo roubado esta noite” ou apelativo: “Compre lá que ainda não paguei a farinha das filhós natalícias”.
Várias horas de pé vão trazendo cansaço. O Rui, de sete anos, só com a estreia escolar em Setembro, há muito que está brincar com os amigos habituais. O Pedro e o João, que de semana andam de volta dos livros, vão ajudando, aqui e acolá: “Se eles quiserem seguir neste negócio, eu gostava, mas vou deixá-los escolher”, refere o pai, acrescentando: “Esta é a minha vida” e sem se deter continuou: “Comecei com dezassete anos, gosto da feira e não quero fazer outra coisa”, rematou de forma convicta.
As treze horas chegaram. Os locais de venda começam a ser desmontados. O Costa vai dobrando as peças de roupa que vão esperar outros dias para serem vendidas, num circuito que começa ao sábado em Alverca e termina na sexta na Nazaré, passando, com um dia de descanso à quarta, pela feira do Relógio, Odivelas, Vila Franca de Xira e a inevitável Malveira.
O Zé Pedro vai trocando algumas palavras com os seus amigos, ciganos como ele, poucas vezes respeitados, quase sempre maltratados. A carrinha volta a estar atulhada de regresso ao Sobralinho, localidade de residência.
Amanhã o dia vai nascer com um novo horizonte. O Zé Pedro e a Olga Maria vão lá estar, para fazerem o que lhes dá mais prazer.


Gostei da história que escrevi, com um título que também serve para mim.
Vamos ver se o Prof também gosta.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Desilusão

O verdadeiro beco sem saída A manhã nasceu hesitante entre o sono e a tristeza. Nem o banho me reconfortou o espírito. A rotina normal, hoje manchada de nevoeiro, conduz-me até ao local de trabalho.
Acho que o desconforto da frustração, leva-me, por vezes, até ao final da rua da minha desilusão. É uma rua sem saída.
O meu anjo da guarda chega, deixando uma mensagem de ânimo.
Que me falta às vezes.
Hoje não quero dizer mais nada.

sábado, 23 de dezembro de 2006

Dos amigos

Eram muitos os teus amigos. Foram à tua despedida, dizer-te um até breve, seja onde for o lugar do reencontro. Fernando Alves, seu colega, seu amigo, no seu sinais da TSF, bem ao seu jeito, bem à sua maneira, muita vezes metafórica, mas sempre bela, deixou que as palavras homenageassem a nossa Leonor.



Tentei encontrar uma forma de me despedir de ti. Fui encontrar esta fotografia, onde o teu belo sorriso, sereno e calmo se destaca. Tu atiravas-me arroz, hoje envio-te um beijo.
Até sempre Leonor. Leonor Colaço (1967-2006)

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Testemunhos

Linda, como sempre Continuo olhar para ti, Leonor. Ontem à noite, foi à procura das fotos do meu casamento, onde estiveste presente. Lá estavas, ora atirando arroz para cima de mim e da Célia, ora compenetrada, durante o repasto.
Fechei o álbum e foi ao VeloLuso do Manuel José Madeira. Lá estava a Leonor, numa bela fotografia, que não resisto a publicar, assim como as lembranças do Paulo Cintrão, colega da Leonor durante muitos anos.
Logo vou à tua despedida, para te puder dizer...até já.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Em busca da Leonor

uma rosa na despedida Nestes momentos de saudade, procuro algo na Net. Vou encontrar um post no irreal tv.
Uma uma visão de Rui Cádima, com uma citação do Fernando Alves, como só ele sabe. Mais alguns cliques, descubro um de Nuno Markl no seu blog.
Continuo neste desvario de busca, como se estivesse à procura da Leonor, descobrindo o MZM. Passamos tantos momentos juntos, na nossa rádio. As lágrimas não resistem, rolando pela minha face, revoltada.
Leonor, os teus amigos de sempre estão contigo.

Com...laço

Uma paisagem como a Leonor, bela e tranquila Era assim que eu gostava de lhe chamar. Leonor Com...laço.
Tudo começou na aventura da rádio em Alverca. Era o tempo das piratas. O entusiasmo era enorme.
A Leonor Colaço (assim, sem a minha autoria), sempre foi reservada, introvertida até. Mas uma grande amiga.
No final dos anos oitenta, a 2000, que era a nossa rádio, a menina dos nossos olhos, acabou. Coisas da legislação da altura.
A Leonor continuou. Correio da Manhã Rádio, Rádio Comercial, e há meia dúzia anos a TSF, a telefonia sem fios.
Não nos víamos muitas vezes. Mas também não era preciso, pois a nossa amizade era muito superior à possibilidade de nos encontrarmos amiúde.
Ontem ela partiu. Sem avisar.
Uma coisa eu tenho a certeza. Quando nos voltarmos a encontrar, para fazer aquilo que gostamos, vai ser na Rádio Paraíso.
Um beijo para ti Leonor.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Sabor a passado

Na sombra o reencontro com o passado Depois de mais de vinte e cinco anos passados, dos dois lados da alegria, sabe sempre bem regressar, mesmo que por pouco tempo, ao convívio dos nossos. Daqueles que gostamos, mesmo não sendo família.
No início, estou reservado, vou tímido, encontrando um abraço aqui, um beijo acolá. Enquanto espero pelo jantar, fico impaciente. Como é habitual, a pontualidade é coisa que não existe pelas bandas da nossa margem, direita ou esquerda.
Começamos o repasto. Na minha mesa, vamos descobrindo, pouco a pouco, o lado de lá de cada um de nós, escondido, dado a conhecer com o passar dos minutos. Algumas garfadas volvidas, entretidas entre os vapores brancos e tintos, chegam os discursos. Habituais, de circunstância, sem nada de novo.
Perto do fim, o tempo de deambular entre as mesas. Agora sim, os abraços são mais fraternos, os beijos transbordam de saudade, o encontro sabe a passado.
Há quanto tempo não nos encontrava-mos.