terça-feira, 2 de outubro de 2007

Corvo - Açores

Olhar ao espelho

Não era, na minha modesta opinião, um escritor/jornalista cujos textos fossem fáceis de ler e absorver.
Li as suas crónicas jornalísticas, durante algum tempo, apesar de ter sido num passado distante.
Mas este texto que agora me enviaram, após o seu recente falecimento, retrata de forma tão correcta a nossa sociedade, que não hesitei em disponibilizá-lo, apesar da sua dimensão.
Leio-o com atenção.
O verdadeiro olhar ao espelho.

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem
como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não
serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão
que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está
em nós. Nós como povo.

Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde
a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o
euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais
apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito
aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão
ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos
passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL,

DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras
particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para
casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e
tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e
para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque
conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se
frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde
os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há
pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e
depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.

Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem
que é muito chato ter que ler) e não há consciência nem memória
política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham

dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem
para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações
médicas podem ser compradas, sem se fazer qualquer exame. Um país
onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma
criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro,
enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-
lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro
e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas
estamos sempre a criticar os nossos governantes. Quanto mais analiso
os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como
pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito
para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é
culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje
pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me
ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como matéria-prima de um país, temos muitas coisas boas, mas falta
muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa.

Esses defeitos, essa CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA congénita ,
essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até
converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de

qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou
Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são
portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em
outra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o
próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma
matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não

poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém
possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho
destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo,
ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não
serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a
alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com
a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.

E enquanto essa outra coisa não comece a surgir de baixo para cima,
ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram,
seguiremos igualmente condenados, igualmente
estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa Portugalidade
autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de
desenvolvimento como Nação, então tudo muda.

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos
portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que
temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o
que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas
de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a
indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem,
francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão
para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e
que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o
responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME
OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!


Eduardo Prado Coelho - In Público

2 de Outubro

Há 138 anos nasce Mahatma Gandhi, que foi um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano.
Morreu com 78 anos.

in Wikipédia

Moldávia / Mónaco



O Canto da Princesa

O início da minha vida profissional teve por base aquilo que julgava ser um sonho. O jornalismo.
Aos dezasseis anos julgamos já saber alguma coisa da vida, é certo, mas as idas para a rádio eram sempre cheias de alegria e vontade de dizer algo aos ouvintes, mais que não fosse, notícias que já tinham passado em alguma rádio nacional à uma hora atrás.
As ondas piratas proporcionaram-me um tempo inesquecível. Foram muitas as pessoas que conheci e trabalhei. Algumas com quem fiz amizades que durarão para sempre. Outras com quem tive o prazer e o orgulho de partilhar experiências de vida.
O microfone era a minha ferramenta e se fosse no estúdio era espectacular. No aquário sentia-me como peixe na água, mas na rua era bem diferente.
Ainda experimentei a escrita sendo a primeira correspondente da zona de Vila Franca de Xira do jornal Público mas, o jornalismo é um bicho que corre nas veias e ou se nasce com ele ou não. Decididamente não corre nas minhas.
Não era para mim, embora o meu companheiro de vida e de tantas horas de rádio achasse o contrário. Ele era uma espécie de fã incondicional. Foi a rádio que nos juntou. Ele sim. Ele tem o dito bichinho. Já não vai a tempo de fazer da sua actividade profissional o seu eterno amor, a rádio, mas a oportunidade surgiu para fazer um curso sobre o que mais gosta, o jornalismo.
Foi assim que nasceu este blogue, com esta aventura universitária que começou na UnI e agora continua na UAL.
É verdade que a família tem saudades do Tio Jorge durante a semana mas compensa e muito ver o prazer que sente.
Pois bem, em jeito de comemoração pelo primeiro aniversário, a família foi convidada a participar. Aceitei o desafio, com algumas reservas, pois a responsabilidade é grande.
Parabéns Tio Jorge por este blogue que é um bocadinho de ti e também de todos nós!

Célia Paulino

domingo, 30 de setembro de 2007

E vão quatro

Chega a notícia com alguns dias de atraso, propositadamente.
Estive a aguardar a chegada de um registo fotográfico para ilustrar a boa nova.
A Francisca, a minha terceira afilhada, de um total de quatro que me chamam de padrinho, nasceu no passado dia 18 de Setembro.
Agora, nas Lajes do Pico, nos Açores, tenho três afilhados, pois a recém-nascida veio juntar-se à Catarina e ao Pedro, filhos dos nossos compadres Isabel e Emanuel.
Como é comum referir nestas circunstâncias, que a felicidade seja um denominador comum pelas bandas de lá.

Angra do Heroísmo - Açores

Brazões

Chama-se a isto arranjar lenha para me queimar.
É verdade. Com tão pouco tempo disponível, cá chega mais uma obrigatoriedade diária.
À beira do primeiro aniversário do Tio Jorge, aproveitando uma sugestão do meu amigo MZM, a partir de hoje vão desfilar por aqui os brazões de todos os Municípios portugueses, por ordem alfabética, começando pelos Açores.
E o primeiro é de Angra do Heroísmo.

30 de Setembro

Há 33 anos, após a tentativa falhada de golpe da apelidada maioria silenciosa, ocorrida dois dias antes, António Spínola que, desde 15 de Maio de 1974, ocupava a Presidência da República Portuguesa, renuncia ao cargo e é substituído pelo General Costa Gomes.

in O Leme

Mauritânia / Ilhas Maurícias



sábado, 29 de setembro de 2007

O Derbie [2]

Não vou ser politicamente correcto.
Mas não vou dizer nada de novo.
Um jogo fraco, num bom relvado - ainda bem que não foi em Alvalade - com dois treinadores satisfeitos com o empate.
Vamos à polémica, essencial num jogo desta natureza.
Paulo Bento falou bem no flash-interview. As indicações dos árbitros assistentes devem sempre para seguir.
Estou de acordo.
Mas o que é que ele indicou? Mão? Parece-me que sim. Mas dentro da área ou fora? Parece-me que o Katsouranis tinha, pelos menos, um pé a pisar a linha limite da área. Sendo assim...penaltie.
Mas porque é que o treinador do Spoprting só se refere aos lances em que, aparentemente foi prejudicado? Não terá visto a falta de Moutinho sobre Adu?
E em jornadas anteriores, a de Polga sobre Lito? E a de Gladstone sobre Matheus? Porque é que Bento não falou sobre elas?
Sempre afirmei, que só nos devíamos queixar dos erros de arbitragem, quando tívessemos a coragem, porque é de isso que se trata, de fazer o balanço do deve e haver.
Se assim fosse, na esmagadora maioria das vezes, pouca gente falaria dos benefícios e prejuízos originados pelos homens do apito.

A boina de Saragoça

Por último, uma correspondente em Espanha.
Ideias e imagens diferentes.
O dia a dia, do lado de lá da fronteira, a meio caminho entre Madrid e Barcelona.
O Erasmus, as suas dificuldades e a mais valia desta experiência.
A Cláudia deixa-nos aqui os seus temas de conversa à quinta-feira.
Bem vinda.

Olhar Jovem

Obviamente que quando toca a unir, toda a família contribui.
Depois da Célia, também o herdeiro mais novo vai trazer-nos as suas ideias.
O Ricardo vai deixar a sua visão dos dias de hoje.
Uma leitura vista do lado da adolescência, do lado onde nem sempre conseguimos entrar.
Às quartas-feiras ele vai estar por aqui.
Bem vindo.

O Canto da Princesa

Há beira do primeiro aniversário do Tio Jorge, chegou a altura da família começar a colaborar, de forma directa - além do apoio dado até agora - na feitura deste espaço.
O Canto da Princesa vai surgir por aqui às terças-feiras, dando espaço à Célia, de forma independente, opinar sobre cada semana passante.
Bem vinda.

O Derbie

Só há este.
Por muito que falem de outros, este é o original.
Os presidentes já deram o exemplo.
Que sirva para acalmar as irracionalidades, que por serem no futebol, não devem ser desculpadas.
Bom jogo.

29 de Setembro

Há 460 anos, nasce Miguel de Cervantes, romancista, dramaturgo e poeta espanhol.
Morreu com 68 anos.

in Wikipédia

Malta / Ilhas Marshal