sábado, 24 de fevereiro de 2007

De mansinho

O seu Alentejo de que tanto gostava Os meus olhos iam percorrendo as fotografias dos filhos, dispostas pela sua casa. As habituais. A infância, as férias, o casamento. O cheiro da saudade era intenso, misturado com as graças do Tomás.
A minha memória recuperava as ocasiões em que nos encontrámos, quase sempre em festejos natalícios.
Nestas alturas o elogio nasce fácil, perante o sabor efémero da vida. Mas ele era o que eu costumo definir como um "bonzão".
Respeitado por todos, família, amigos e vizinhos, não era fácil estar triste por perto dele.
Ao virar de uma esquina, longe do seu dia, partiu de mansinho.
Adeus Senhor Joaquim.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Harry Potter

Ainda falta o último e já estou com saudades dele. Sim, do Harry Potter, do sétimo e derradeiro livro da saga construída por J.K. Rowling. Como todos os fenómenos de popularidade ou se gosta muito ou detesta-se. Eu gosto muito.
Por isso trago aqui as capas dos seis livros já publicados e um breve resumo de cada um deles. Para quem já leu todos como eu, serve para recordar. Para quem ainda não começou, pode ser que se entusiasme.

É apenas um miúdo magricela, míope e desajeitado com uma estranha cicatriz na testa. Estranha, de facto, porque afinal encerra misteriosos poderes que o distinguem do cinzento mundo dos Muggles (os complicados humanos) e que irá fazer dele uma criança especialmente dotada para o universo da magia. Admitido na escola Howgarts onde se formam os mais famosos feiticeiros do mundo, Harry Potter irá viver todas as aventuras que a sua imaginação lhe irá proporcionar.

Os dias de Verão com os Dursleys estavam a tornar-se insuportáveis. Harry Potter já não gostava muito de Muggles, mas o pior é que tinha de passar os seus dias de férias em casa dos Muggles mais Muggles de todo o planeta e arredores. Não havia maneira de voltar para a sua querida escola de feitiçaria... E ultimamente mesmo esse regresso encontrava-se ameaçado, pois o duende Dobby não cessava de o avisar de que algo terrível o aguardava em Hogwarts... Nada mais nada menos do que a revelação dos misteriosos e ameaçadores poderes da câmara do segredos.

Daquela vez Harry Potter não conseguira conter-se. Quebrara uma das regras principais de Hogwarts, não exercer técnicas de feitiçaria fora dos muros da escola. Mas aquela detestável Tia Marge merecia permanecer umas boas horas suspensa no tecto da sala dos Dursleys, inchada como um balão. Além disso já faltavam poucos dias para recomeçar as aulas. Mas o seu terceiro ano não irá ser fácil. Da prisão de Azkaban fugira o feroz Sirus Black, um dos mais fieis seguidores do assustador Lord Voldemort para o que Harry Potter continuava a ser o alvo favorito.

Graças à taça Mundial de Quidditch vai passar os últimos quinze dias de férias na companhia dos Weasleys e do seu amigo Ron. Mas a verdade é que nem tudo vai correr pelo melhor para o nosso herói. Quando Harry começa a sentir a sua cicatriz a doer terrivelmente, sabe que Lord Voldemort está de novo a rondá-lo e a ganhar poder. A marca da morte, que apareceu no céu, não pode significar outra coisa...Entretanto, este é um ano muito especial para Hogwarts, pois é lá que se irá realizar o célebre Torneio dos Três Feiticeiros, no qual Harry vai desempenhar um papel decisivo e que quase lhe irá custar a vida.


Sozinho com os Dursley, não consegue perceber por que razão Ron e Hermione lhe enviam respostas tão vagas às suas cartas...Isolado do mundo mágico a que pertence, Harry segue atentamente os noticiários, convencido de que até os Muggles se aperceberão de alguma coisa, se Lord Voldemort voltar a atacar... E é então que os acontecimentos se precipitam. Parece impossível, mas, no bairro mais Muggle do mundo Muggle, Harry é emboscado por Dementors! Para salvar a sua vida e a do primo Dudley, Harry não tem outra hipótese senão usar magia, mesmo sabendo que isso significará a sua expulsão mais que certa de Hogwarts.

Voldemort está mesmo de volta! Esta é a terrível confirmação que agita o início do sexto ano na escola de feitiçaria de Hogwarts. O crescente poder maléfico de Voldemort, e do seu vasto exército de Devoradores da Morte, é cada vez mais visível, não só no mundo da Magia como no mundo dos Muggles. Agora, mais do que nunca, é necessário reunir forças para combater o mal, e, para isso, Harry e Dumbledore visitam o passado misterioso de Voldemort, e o coração da magia negra, e desvendam alguns segredos verdadeiramente espantosos.


Chama-se na versão original Harry Potter and the Deathly Hallows, chega a 21 de Julho deste ano, mas a versão portuguesa, só no último trimestre de 2007.
A autora revelou, no final de 2006, que duas personagens vão morrer no último livro, só não se sabe se será o próprio Harry Potter...

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Dor de cotovelo?

Este desporto merece mais respeito Iniciou-se ontem a Volta ao Algarve em bicicleta, com um pelotão de perto de 200 ciclistas, talvez o maior de sempre em estradas portuguesas, incluindo todas as equipas nacionais e um grande número de estrelas do panorama velocipédico mundial.
Cartaz, entre as equipas portugueses, a formação do Benfica que regressa às estradas numa segunda tentativa, parecendo esta bem mais sustentada do que a primeira.
Para que o regresso dos encarnados à estrada fosse possível, contribuiu de forma definitiva João Lagos e a Lagos Bike, empresa criada para patrocinar a equipa do Benfica, sendo o mesmo Lagos, através da Lagos Sport, o organizador da Volta a Portugal em bicicleta, há dois anos a esta parte.
Vem esta introdução a propósito de um artigo de Daniel Reis no Jornal A Bola, de hoje, onde escreve a determinada altura: "Longe de mim admitir, sequer, que o bom do Joaquim Gomes, ao definir o perfil da Volta para a Lagos Sport, pudesse optar por mais montanha, ou contra-relógio, ou mais etapas planas, a benefício de um qualquer ciclista da Lagos Bike. Mas que dúvida assalte outros, nomeadamente as equipas com candidatos declarados à camisola amarela e concorrentes directos do Benfica, isso já não ouso recusar".
Inacreditável.
Como já o tenho dito mais de que uma vez, quando escrevemos para muita gente ler, devemos ter cuidado, não para não dizermos o que pensamos, mas principalmente para não dizermos asneiras.
Daniel Reis, concerteza movido pela mania da perseguição, já encontrou uma forma de gerar um clima, onde ele pretende que se passe a desconfiar da honestidade da organização da Volta, pelo simples motivo do organizador também patrocinar uma equipa.
Mas vai mais longe. Não é só ele que desconfia. Todos os adversários também já estão desconfiados.
Devia era estar satisfeito, se gostasse de ciclismo, pela facto da presença do Benfica no pelotão, trazer muito mais gente às estradas do nosso País, para vibrarem e apoiarem este desporto tão querido dos portugueses.
Quando não confiamos na honestidade de ninguém, será que somos mais honestos por esse motivo? Ou será que isto se chama dor de cotovelo?

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Palermo

O polémico treinador português A Liga dos Campeões regressa hoje ao Porto e com ela também José Mourinho, que ao comando do Chelsea, volta a orientar a equipa inglesa, contra o FC Porto, clube onde o treinador português atingiu a notariedade europeia.
No primeiro regresso, Mourinho produziu uma declaração, no mínimo polémica, quando questionado pelo facto de trazer seguranças: "Quando vou a Palermo, tem de ser assim". Uma afirmação deveras intrigante.
Domingos Amaral, director da revista masculina Maxmen, escrevia no Diário Económico de há algumas semanas atrás, um artigo sobre esta afirmação do special one, como gostam de lhe chamar os jornalistas ingleses.
O título da prosa é Sim, Carolina... e como já perceberam pelo nome, não fala só de Mourinho.
Leia e tire as suas conclusões.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Mistérios

Hoje tem sido um abuso de postagem, mas esta coincidência é interessante.
Depois de ver As bonecas russas, fui à procura de um tema da banda sonora, que gostei especialmente. Chama-se Mysteries.
Descobri que se trata da vocalista dos Portishead, Beth Gibbons, que há uns dias atrás ouvi pela primeira vez através da minha amiga Vera, que me enviou o tema Roads.
Coincidências bem agradáveis, pois tratam-se de duas baladas muito bonitas.
Uma pode ouvi-la já. A outra procure por aqui, no marcador música.

Bonecas Russas

Na versão original Finalmente.
Depois de vários meses de permanência em cima do móvel da sala, alegra-te Miguel, pois vais receber o teu DVD de volta.
Com um feriado, sem hóquei, nem futebol e com as aulas de férias, lá arranjámos duas horinhas para nos sentarmos no sofá, em frente à televisão.
E gostámos...muito.
Que pena não ter tempo para ver mais cinema!

Terça-feira Gorda

O mais popular Carnaval do Mundo: o do Rio de Janeiro, no Brasil Apesar de não fazer parte dos meus gostos pessoais, tentei saber as origens do Carnaval ou Entrudo, como outros lhe chamam.
Como é habitual nas tradições com muitos anos, divergem as versões oficiais. Certo, quanto é possível saber-se, trata-se de uma festa pagã, apesar de algumas teorias o associarem aos festejos da Saturnália (festas em honra de Saturno, que se realizavam no soltíscio do Inverno) em Roma, ou às celebrações em homenagem aos deuses Íris ou Osíris, no Egipto.
Como aconteceu com outras festas pagãs, o Cristianismo adoptou-a, dando-lhe o nome de Carvaval e atribuindo-lhe o seu próprio significado.
Segundo o calendário cristão, a Terça-feira Gorda seria o último dia em que se podia comer carne, seguindo-se um período de 40 dias denominado de Quaresma, que começa com a Quarta-feira de Cinzas (amanhã), uma época de jejum e penitência que culmina com a Páscoa, onde se celebra a ressureição de Jesus Cristo, a festa mais importante do Cristianismo.
Deixada a explicação, esqueça as tristezas e divirta-se, pois vêm aí dias piores.

Jardim hipocrita

AJJ num desfile do Carnaval Madeirense Aproveitando o Carnaval, época de que tanto gosta, Alberto João Jardim demitiu-se do Governo Regional da Madeira, ao fim de quase 30 anos de governação.
Estes são os factos já analisados pelos comentadores políticos, efectuados com grande cuidado, para não aborrecer o líder madeirense.
Penso que nem me devia admirar com as extravagâncias de AJJ. Já nos habituou às suas parvoíces, mas esta roça o ridículo.
Vejam algumas das suas afirmações no discurso, onde anunciou a sua demissão. Começou por referir que não está: "em posição de enfrentar esta multiplicação de novos problemas, sem um mandato claro do eleitorado da Região Autónoma da Madeira". Mandato mais claro? AJJ foi eleito com maioria absoluta esmagadora, como acontece há 30 anos.
Mais duas expressões brilhantes. A sua renuncia, prova assim "não estar agarrado ao poder" ou afirmando que "ao recandidatar-me à liderança do governo regional demonstro que não fujo, nem abandono, quando as circunstâncias estão insuportavelmente muito mais difíceis". Agarrado ao poder? Que mentira...ele só lá está há três dezenas de anos. Não foge, nem abandona!? Também já tinhamos percebido.
E é claro que se soubesse que uma nova maioria absoluta, não estava já ali ao virar de uma nova votação, tinha-se demitido! Hipocrisia e estupidez em doses iguais.
Já que está tão preocupado com a falta de dinheiro para os madeirenses, devia começar por parar de dar um milhão de euros, por ano, ao Diário da Madeira, para este escrever o que ele quer ou reduzir substancialmente as fortunas que dá aos clubes de futebol madeirenses para importarem dezenas e dezenas de brasileiros.
E agora quem vai pagar mais estas eleições?
Os mesmos do costume. Todos nós.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Pontes

Viva o descanso Hoje é um daqueles dias em que ficamos com a sensação de que há muito pouca gente a trabalhar. Transportes públicos em versão dominical, muitos lugares para estacionar, enfim, um autêntico feriado...para alguns.
Como estamos no Carnaval, nada parece mal.
O pior é depois quando chegarem as contas, aquelas que só alguns pagam, normalmente os que também trabalham nestes dias.
Somos um país de engenheiros.
Fazer pontes é connosco.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Mouchões

Os mouchões ficam situados na Reserva Natural do Estuário do tejo Andava à procura de um tema para postar hoje, quando a Cláudia me deu a inspiração: "Fala dos mouchões".
Ora aí está.
Quem mora, como eu, há 46 anos no concelho de Vila Franca de Xira, já ouviu falar por diversas vezes no mouchão de Alhandra, da Póvoa, das Garças e do Lombo do Tejo, apesar de não serem os únicos existentes no rio. Mas o que são mouchões?
Procurando facilitar a explicação, trata-se de um depósito sedimentar, formado por materiais em geral grosseiros, mais ou menos soltos, transportados por águas correntes. Ora estes materiais vão-se acumulando e formam uma especie de ilha, normalmente de pequenas dimensões, que se transforma num excelente terreno agrícola. Pois é, mas a agricultura já deu o que tinha a dar.
Voltando ao casos dos mouchões do concelho ribatejano, a polémica já transbordou para os interesses privados, embrulhados em turismo.
Deixo para consulta dois artigos sobre o tema. Um publicado no Agroportal, um site dedicado ao mundo agrícola e tudo o que o rodeia, o outro no site do Jornal Vida Ribatejana.
Ambos abordam a questão do confronto entre o turismo e a defesa dos direitos da natureza.
Espero que a solução seja um exemplo para o nosso país, esmagado pela corrupção.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Ressonar

Ressonar...eu? A manhã começou cedo, com uma ida ao médico, antecipadamente marcada.
Há algum tempo que a Célia reclamava do ruído provocado por mim durante o sono. Vamos lá saber o que se passa e como o evitar ou reduzir.
O Dr. João Prata é uma referência dentro desta especialidade, tendo-me explicado tudo o que tenho que fazer. Fiquei a saber que não se trata apenas de um problema de décibeis a mais, mas sim uma questão, que pode ser grave, de saúde pública, como por exemplo a apneia.
Para já, como pontapé de saída para a melhoria, vou ter que perder peso.
Mas como quero partilhar com todos os problemas decorrentes desta doença - por que se trata de uma doença - façam o favor de clicar AQUI e escolher Ressonar & Apneias do Sono.
Acho que vai ser importante para todos.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Do lado de lá

Sempre tive uma especial inclinação para as músicas e textos vindos do lado lá do Atlântico.
Vários cantores, autores e canções estão na minha memória. Esta é uma delas.
Letra de Tom Jobim para a voz de Elis Regina.
Mais de 30 anos depois.

Omissão

Está instalada a confusão na CM Lisboa Já começa a ser generalidade e não a anormalidade. Rara é a semana em que não há mais um autarca acusado de qualquer irregularidade: fraude, peculato (apropriação indevida de bens de uma empresa pública), corrupção, etc.
Sou daqueles que acredito na inocência dos arguidos até ao julgamento, mas...
Recupero talvez o caso mais mediático de todos, o de Felgueiras. Se Fátima estava inocente, porque motivo fugiu para o Brasil?
Agora surge a verdadeira confusão na Câmara de Lisboa. Fontão de Carvalho, vice-presidente, foi entrevistado acerca de um mês em diversos orgãos da Comunicação Social, por causa do caso Bragaparques. Foi diversas vezes questionado se tinha ou não sido constituido arguido. Sempre negou.
Soube-se ontem que, afinal o autarca de Lisboa, era arguido já nessa altura, mas doutro processo, onde é acusado de peculato, no caso do pagamento indevido de prémios de produtividade a administradores da EPUL.
Cá está ele metido noutra, apesar de recusar demitir-se.
Confrontado com esta aparente omissão, afirmou: "Não omiti. Nunca ninguém me perguntou. O que me questionaram foi sobre o processo Bragaparques e nesse não fui constituído arguido".
Termino, utilizando o ditado popular: Mais depressa se apanha um mentiroso de que um coxo.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

As nossas conversas

A nossa prenda do dia dos Namorados A nossa prenda foi comum, um livro para lermos os dois.
Não gostaste muito, acho que não te enviei um mail como tinhamos combinado, em época de austeridade, ou seja, tempo de vacas magras, em vez da habitual prenda.
Mas gostamos de ler e gostamos ainda mais de conversar. Acho...não, tenho a certeza, que são os nossos longos diálogos que nos proporcionam tantos anos felizes.
Recordo, aqueles finais de tarde, no nosso café, nos nossos bancos altos, onde não dávamos pelo tempo, à sombra das palavras, cruzadas com a nossa alegria de ali estarmos os dois.
Por isso é que o nosso amor está cada vez melhor.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

São Valentim

São Valentim em França, a vila dos apaixonados Conhecemos o dia de hoje mais como dos Namorados, do que de São Valentim, um santo praticamente desconhecido por cá, contrariamente a outros países da Europa onde é muito popular.
Este 14 de Fevereiro, para nós portugueses, tem mais tradições consumistas do que religiosas.
Fui tentar saber mais sobre ele. Apesar de haver diversas versões sobre a sua origem, algumas coincidem.
Valentim seria um bispo de Terni. Na altura o Império Romano era governado por Cláudio II (sec. III) que andava envolvido em sangrentas campanhas militares, havendo dificuldade para recrutar novos soldados, devido ao facto de os homens não quererem abandonar as suas esposas e namoradas.
Perante este dificuldade, o Imperador proibiu todos os casamentos, mas o bispo Valentim continuou a casar, em segredo, os jovens apaixonados. Descoberto, foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270.
Em 498, o Papa Gelásio santificou-o, passando o dia da sua morte a ficar ligado aos apaixonados.
Aproveitem bem este dia.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Antes de beber...

Para não faltar ao prometido no post anterior, mais um excelente momento publicitário, pelos mesmos de ontem, reforçados por Henry e Lampard, desafiados por uns rapazes de suspensórios e por umas miúdas giras.
Aproveite o momento.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Que batalha!

Regresso à publicidade, depois de uma larga ausência. A guerra das colas, oferece-nos momentos magníficos, aproveitando os craques da bola...Beckham, Raúl, Totti, Torres, Roberto Carlos...e Ronaldinho...um monumento visual, com mais de dois anos, que não passou na nossa televisão.
Fica a promessa de mais um, da mesma marca, para amanhã...e mais recente.

Mil setecentos e cinquenta e cinco

Uma pintura da tragédia Senti o chão tremer. A cadeira tentava ganhar autonomia. O que se estava a passar?
Era mesmo um sismo, com uma amplitude de 5,8 na escala de Richter e epicentro a 160 quilómetros a sudoeste do Cabo de São Vicente, ao largo de Sagres.
Depois do susto, pequeno como a duração do abanão, lembrei-me do terramoto de 1755. Procurei na net histórias daquele tempo e encontrei um texto de Maria Luisa V. Paiva Boléo, extraído do livro CASA HAVANEZA - 140 anos à esquina do Chiado, donde extraí este pequeno excerto da tragédia ocorrida há mais de 250 anos.

(…) O terramoto teve início às 9 horas e 40 minutos do Dia de Todos os Santos, 1 de Novembro de 1755. A terra tremeu três vezes, num total de 17 minutos, e, durante vinte e quatro horas, a terra não deixou de estremecer.
(…) O sismo teve o epicentro no mar, a oeste do estreito de Gibraltar, atingiu o grau 8,6 na escala de Richter e o abalo mais forte durou sete intermináveis minutos. Por ser sábado, acorreram mais pessoas às preces. As igrejas tinham os devotos mais madrugadores. Só na igreja da Trindade estavam 400 pessoas. Se os abalos tivessem começado mais tarde, teria havido mais vítimas, pois os aristocratas e burgueses iam à missa das 11 horas. Depois dos abalos, começaram as derrocadas. O Tejo recuou e depois as ondas alterosas tudo destruíram a montante do Terreiro do Paço e não só. Era o fim do mundo!
Os incêndios lavraram por grande parte da cidade durante intermináveis dias. Foram dias de terror. As igrejas do Chiado e os conventos ficaram destruídas. A capital do império viu-se em ruínas, já para não falar de outras zonas do país, como o Algarve, muitíssimo atingida pelo sismo e maremotos subsequentes.
(…) Na voragem do terramoto de 1755 desapareceram cinquenta e cinco palácios, mais de cinquenta conventos, a Biblioteca Real, vastíssima em livros e manuscritos e as livrarias (como sinónimo de bibliotecas) dos conventos de S. Francisco, Trindade e Boa Hora.
(…) Balanço da tragédia: entre 12 a 15 mil vítimas mortais, numa população de 260 mil e mais de 10 mil edifícios destruídos.


Por favor, não brinquem com a natureza.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Até já

José António Nunes Vilaça Neste dia "agitado", para mim, fui-me despedir do Bacalhau. Difícil exprimir o que nos vai na alma nestas ocasiões. A Isa, sua mulher, foi descobrir, neste momento doloroso, perante a insensibilidade dos actuais responsáveis do Alhandra Sporting Clube, uma camisola que o Zé Antonio utilizou, num longíquo confronto para a Taça de Portugal com o Sporting, em pleno estádio de Alvalade.
Por ironia do destino, já em plena actividade radiofónica e com as botas quase arrumadas, fiz o relato desse encontro desequilibrado.
Depois de uns 11-0, a festa dos alhandrenses continuou, noite fora, cientes do dever cumprido.
Foste sempre assim na tua vida. Sorriso fácil, amizade ampla e sem tempo para rancores.
A camisola com que tu jogaste, nessa partida, foi contigo para o futuro.
Eu vou reconhece-la quando nos encontrarmos.

Perseverança

Ângela Ferreira Este intervalo semanal tem sido muito complicado, até pela mistura de sentimentos.
A morte do Bacalhau, meu grande amigo, o aniversário da Ângela e do meu Pai, já desaparecido e o referendo ao aborto.
Procuro gerir todas estas emoções e sensações de forma equilibrada. Não é fácil.
Escrevo estas palavras numa altura em já se sabe que o "SIM" vai vencer. Independentemente das causas posteriores, que espero terminem, como já o disse antes, com a hipocrisia, retive hoje um exemplo para todos.
Falei atrás da Ângela, avó da Célia, minha avó, colmatando, para mim, o desaparecimento dessa instituição que são os avós, que, honestamente, nunca tive.
Sem saber ler nem escrever, fruto da sua época de educação onde cedo se deixava a escola, não abdica de manifestar as suas ideias e convicções.
Hoje fez 78 anos. Nem por isso deixou de ir votar.
Tenho orgulho da sua perseverança. Fico contente por me considerar seu neto.
Força Ângeloca, como gosto de lhe chamar.