segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Eu não acredito, mas...

As noites das bruxas A jornada futebolística do primeiro fim-de-semana de Fevereiro foi verdadeiramente atípica, no que à Liga principal diz respeito. Senão vejamos.
Na sexta-feira o Benfica, que terá feito a melhor exibição desta temporada - enviou quatro bolas aos ferros - teve que se contentar com um empate a zero. Na Luz, segundo os críticos e o próprio treinador, nunca tinha jogado tão bem, mas contava com vitórias todos os jogos disputados, jogando alguns furos abaixo!?
No dia seguinte, o FC Porto defrontava o Estrela da Amadora, que ainda não tinha vencido fora esta época, apesar de já não perder há oito jornadas. Mas, acabou mesmo por ganhar, com um golo numa altura que os azuis-e-brancos já se tinham resignado com o empate.
E sabem quem marcou? Anselmo, jovem avançado, que já fez dupla com David - o “carrasco” dos portistas na Taça - precisamente no Torrense, equipa que também já eliminou os “dragões”, na mesma competição!?
Para terminar em beleza, o Sporting goleou o nacional da Madeira, mas esteve a perder até 15 minutos do fim, tendo mesmo desperdiçado uma grande penalidade. Depois…, bem depois entrou Carlos Bueno. Tinha marcado apenas um golo pelos sportinguistas na Liga dos Campeões. Tem jogado muito pouco, sendo a última opção de Paulo Bento para a linha avançada. E não é que o uruguaio marcou quatro golos em pouco mais de um quarto de hora!?
Como dizem os nuestros hermanos, aportuguesando a frase:
Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Roads

A Vera enviou-me este magnífico registo, que eu não conhecia, apesar de ter perto de dez anos, e que quero partilhar com vocês.

Tratam-se dos Portishead, uma banda inglesa de Bristol, de Beth Gibbons e Geoff Barrow, com o tema Roads.
Espero que tenham gostado desta espectacular balada.

Bueno...não

Carlos Bueno ao serviço da selecção do Uruguai Numa altura em que a questão da arbitragem, volta a estar...melhor dizendo, está sempre nas discussões do dia a dia, o papel dos jornalistas é extremamente importante, para ajudar quem vê e ouve o futebol.
Claramente, os intervenientes no fenómeno desportivo devem ter uma conduta pedagógica, tendente a esclarecer as dúvidas dos menos informados, e muito desse papel passa pelos homens dos mídia.
Ontem estava a ver o jogo entre o Sporting e o Nacional da Madeira, com comentários de Valdemar Duarte, numa transmissão da TVI. A determinada altura, logo no início da partida, disparou esta afirmação: "Diego demorou na reposição...se o árbitro fosse o Lucílio Baptista, já tinha visto o amarelo".
Vou tentar esclarecer. O juíz da partida era Duarte Gomes e o Diego é o guarda-redes suíço dos madeirenses.
É com este tipo de comentários que se estraga o futebol, principalmente quando se está a falar para milhares de espectadores. Esquece-se, este recém-promovido a pessoa importante, que uma das funções dos comunicadores é esclarecer, promover o conhecimento e em caso algum usar a sua função para exprimir o que lhe vai no pensamento. Para isso há outros locais, de âmbito jornalístico, devidamente identificados.
Foi ainda este senhor que, durante a transmissão do mesmo jogo, afirmou: "No meio campo do Sporting, só há um avançado, Carlos Bueno", numa altura em que ele estava no banco. Talvez tenha confudido o centro do terreno com o banco dos suplentes.
Deu sorte aos verdes-e-brancos, pois o uruguaio entrou e marcou quatro golos.
Deste Valdemar já podemos esperar tudo, até que diga mais asneiras que o Gabriel Alves.
Assim...não.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Intervalo no Bolonha

Equilíbrio precisa-se no Bolonha Há duas horas atrás terminou o meu terceiro semestre, neste reinício, tardio, dos meus estudos universitários. Confesso que não terminou como eu esperava. Pouco a pouco, vou sendo engolido pela engrenagem, mas contrariado.
Discutimos muito nos dias que correm as competências. O Bolonha devia ser um paradigma, na palavra dos idealizadores do processo, dessa permanente necessidade de adquirir mais-valias.
Para mim foi uma desilusão.
Vamos aproveitar o intervalo semestral para que todos, estudantes, docentes e universidades, possamos reflectir e perceber que isto não foi, nem de perto, nem de longe, o que a comunidade estudantil precisava e desejava.
Podemos e devemos fazer muito melhor.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Tudo o que se passa...

uma espécie de livro de estilo da TSF O meu descobrimento da blogosfera, abriu-me as portas a outros locais e a outras opiniões. Quem procura textos sobre a rádio que se faz por cá e não só, não pode deixar de visitar o Blogouve-se, do João Paulo Meneses, jornalista da TSF.
Muitos temas interessantes dentro desta área, com a possibilidade de adquirirem o livro “Tudo o que se passa na TSF”, que se encontra esgotado no mercado, mas que Meneses, autor do mesmo, disponibiliza alguns volumes que tem em seu poder.
Vá lá e veja como.
É o livro que estou a ler neste momento.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Grande lata

Valentim Loureiro No próximo dia 6 de Março vamos ficar a saber se vamos ou não ter julgamento do caso Apito Dourado. Para quem tem acompanhado este caso, sabe que os advogados dos arguidos, entre eles o Major Valentim Loureiro, têm argumentado, como motivos para não haver julgamento, a ilegalidade das escutas telefónicas e a incontitucionalidade da lei anticorrupção, há anos aprovada na Assembleia da República.
Ontem o Major veio declarar que ficará triste se não houver julgamento, pelos motivos acima referidos, pois assim não pode provar a sua inocência. No entanto o advogado que o representa é que parece não estar de acordo.
Será que está a argumentar à revelia de Loureiro? Então porque é que não lhe dá instruções no sentido de querer ir a julgamento?
É preciso muita lata senhor Major.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Roubo

Recebi a mensagem que abaixo reproduzo, de um amigo. Leia que já conversamos.

Talvez ainda não se tenha apercebido do facto, mas o serviço informativo,
gratuito, de números de telefone através da Internet 118.net (http://www.118.net) foi descontinuado e substituído pelo novo serviço informativo 1820 (http://www.1820.pt/1820pt), cuja página de abertura aparece assim nos nossos monitores:

este é o ecrãn inicial
Ou seja, no momento em que precisa de saber o número de telefone de alguém a quem pretende ligar - e essa necessidade até pode ter carácter de urgência - em vez de aceder directamente à informação que procura e que a PT é obrigada a fornecer gratuitamente, "tropeça" num complexo processo de registo, processo que não passa de um "convite" a que desista dessa diligência e, em alternativa, recorra ao serviço informativo por telefone, e para tal lá está o lembrete: "ligue 1820 da rede fixa ou móvel".
Esse serviço, contudo, não é gratuito e vai-lhe custar 0,52 € nos primeiros 30 segundos, mais 0,29 € por minuto, durante a restante duração da chamada, tempo que, além do mais, irá ser habilmente prolongado...e prolongado...e prolongado...com música de espera e múltiplas questões pseudotécnicas e muitas, muitas, muitas interrupções...intercaladas com "um muito obrigado por ter aguardado".


Fui experimentar. O endereço antigo está mesmo desactivado, aparecendo no mesmo endereço um site chinês!? Entrei no novo, e como dizia o meu amigo, tive que fazer um registo, onde tinha que incluir uma morada de mail. Assim fiz. Logo de seguida recebi um e-mail que me informava que para finalizar o processo de registo tinha de enviar um SMS para um número da rede fixa com uma determinada mensagem, prometendo que de seguida me enviariam uma password para o mail que eu forneci.
Já mandei o SMS à uma hora e resposta...nada.
Portanto, a informação do meu amigo é fidedigna, e nem consegui chegar ao fim do registo. Eles querem é que a "malta" ligue, para transformar um serviço gratuito, num pago e bem pago.
Devemos reclamar e podemos fazê-lo para ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações), para o IC (Instituto do Consumidor) e para a DECO/PROTESTE.
Isto chama-se roubo.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Assim Sim


Começo a ter dificuldade em conseguir adjectivar as imitações de Ricardo Araújo Pereira, um dos quatro Gato Fedorento.
Desta vez a "vítima" é Marcelo Rebelo de Sousa e o seu vídeo de lançamento do Assim Não, um movimento de apoio ao Não no referendo sobre o aborto, lançado pelo Professor.

Pedaladas

Uma das belas imagens que nos proporciona o ciclismo Quem vai acompanhando com alguma assiduidade o meu blog, já percebeu o meu gosto pelas ondas do éter. Posso afirmar que das muitas reportagens que fiz para rádio, o ciclismo tem um cantinho muito especial nas minhas simpatias.
Vício induzido pelo meu amigo Manel-Zé Madeira, os primeiros troféus Joaquim Agostinho, na sua companhia, depois mais de uma dezena para a Rádio Irís, três Voltas ao Alentejo, com o João Luis Rodrigues, e também para a rádio de Samora Correia, uma volta a Portugal.
Todas me deram muito gozo.

Aos arquivos, fui recuperar o som de um final de étapa da prova de Torres Vedras. Uma chegada ao Alto de Montejunto, que quase todos os anos decide o vencedor, desta prova, que ano após ano homenegeia o maior ciclista português de todos os tempos, Joaquim Agostinho.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Metereologia

A minha filha Cláudia Faz precisamente hoje um ano que nevou em todo o País. Claro que também tudo ficou branco em Alverca, fenómeno que não acontecia há mais de 50 anos e que eu tive a oportunidade de o ver pela primeira vez.
Estas coisas da metereologia são um bocadinho complicadas, apesar de agora eu ter a minha filha Cláudia que me ajuda a interpretar o funcionamento do tempo.
Já aqui expliquei, que foi por causa dela, que regressei aos estudos. Entrámos os dois para Universidade no mesmo ano. Ela para a Nova em Geografia e Planeamento Regional, que está a cumprir com gosto, apesar do muito trabalho, num curso muito exigente.
Ora, é por isso que sempre que o tempo está mau, eu digo que a culpa é da Cláudia, pois se é ela que anda estudar as superfícies frias, as frontais, as massas de ar...deve que ter alguma responsabilidade, pois acho que o tempo não gosta que se metam na vida dele.
Força filhota.

domingo, 28 de janeiro de 2007

The must

Roger Federer, o melhor jogador do Mundo As manhãs de domingo começam cedo, pois logo às nove horas, eu a Célia e o Ricardo, praticamos sessenta minutos de ténis.
Chegados a casa, estava a disputar-se a final do Open da Austrália, no início da noite, em Melbourne, princípio de dia chuvoso e frio em Alverca.
Há muito que gosto deste desporto, que apesar de parecer fácil, é extremamente exigente. Nomes como o sueco Bjorn Borg ou o americano Pete Sampras, fazem parte dos jogadores que gostava de ver jogar.
Mas voltemos à final. Roger Federer, o suíço actual número um mundial, defrontava o chileno Fernando Gonzalez. Federer venceu por três sets a zero, com naturalidade, demostrando, mas uma vez, ser o melhor do mundo e talvez o melhor de sempre.
Com apenas 25 anos já conquistou 10 títulos do Grand Slam , que corresponde aos torneios de Melbourne (Austrália), Roland Garros (França), Wimbledon (Inglaterra) e Flushing Meadows (Estados Unidos), os maiores torneios do ATP, estando a quatro de igualar o record de Sampras.
A sua classe é impressionante. A sua simplicidade e modéstia dentro do court, ultrapassa a normalidade. Dá gosto vê-lo jogar.
Roger Federer... the must.

Inqualificável

O central brasileira em acção Volta a estar na ordem do dia a possibilidade de outro jogador brasileiro, na circunstância Pepe, poder a vir jogar na selecção nacional de futebol, depois de Deco.
Se muita polémica gerou na altura, a utilização, do então jogador do FC Porto, que agora actua com a camisola do Barcelona, a possibilidade do defesa central dos azuis-e-brancos, vestir a camisola das quinas, volta a trazer à berra a "justiça" destas opções, até porque há outros candidatos nas mesmas condições, como por exemplo o sportinguista Liedson.
É verdade que por esse Mundo fora, esta situação já se tornou recorrente. Em Portugal, já aconteceu noutras modalidades, sem qualquer confusão, sendo o caso mais flagrante o do atleta Francis Obikwelu. Já ganhou várias medalhas e detém o record da Europa dos 100 metros, tudo de vermelho e verde vestido.
Aquando da utilização de Deco, fui dos que estiveram de acordo que ele representasse a selecção de todos os nós, tendo tido uma postura digna, até ao momento.
No caso de Pepe, a minha posição mantêm-se. Se está disponível e tem qualidade, por mim tudo bem. No entanto, apesar da sua reconhecida mais-valia, não pode ter atitudes inqualificáveis como as de anteontem em Leiria, onde depois de passar ao lado do cartão vermelho, terminou a sua actuação vergonhosa, cuspindo num apanha-bolas.
Assim não. Por mim, já não vestia a camisola lusa.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Memória curta

O horizonte da desilusão Sou de fronteiras amplas e horizontes profundos. Nos projectos em que me envolvo, dou o que tenho e o que não tenho.
Muitos dissabores têm-me custado esta minha postura. No entanto, a seguir a uma “chapada”, levanto-me, olho em frente e promessas internas de não cair na mesma atitude.
Mas o tempo vai passando, a memória torna-se curta e…

Voltei à Universidade. Não éramos muitos no primeiro ano, mas um grupo muito jovem, salvo raras excepções. Formámos um grupo coeso, mas…talvez demasiado dependente.
Hoje cheguei de mais uma frequência que correu bem, mas o sentimento é de tristeza e desilusão.
Por vezes, pior que uma má nota, é uma recepção fria como a noite, de alguns dos que tentei ajudar a serem melhores, mas provavelmente não queriam e eu não percebi.
Será que vou aprender algum dia?

Baby Can I Hold You

Ao longo dos anos, por um motivo ou outro, há temas musicais que ficam na nossa memória. Geralmente são espelhos de um qualquer acontecimento que nos marca definitivamente.
Este que hoje recordo, significa o início da minha relação com a Célia que dura há 18 anos.
De segunda a sexta, entre as sete e as oito, lá ía até à Rádio, fazer um espaço musical, onde, todos os dias, durante algumas semanas, o vinil da Tracy Chapman deu voz a este Baby Can I Hold You.

Como curiosidade, deixo a letra desta magnífica balada.

Sorry
Is all that you can say
Years gone by and still
Words don't come easily
Like sorry like sorry

Forgive me
Is all that you can't say
Years gone by and still
Words don't come easily
Like forgive me forgive me

But you can say baby
Baby can I hold you tonight
Maybe if I told you the right words
At the right time you'd be mine

I love you
Is all that you can't say
Years gone by and still
Words don't come easily
Like I love you I love you

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Os dois lados

Partiu há três anos
O Pantera negra Tenho as imagens na mente.
O último cartão amarelo.
O seu último sorriso, de criança.
A sua partida, brutal e dolorosa.
Miklos Fehér tinha 24 anos.

Hoje, Eusébio faz 65 anos.
Os dois lados da vida.
A tristeza e a alegria.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Fontes de informação

Pelo andar da carruagem, qualquer não trazem novidades Muito se tem falado, ultimamente, das fontes de informação dos jornalistas, quase sempre motivado pelo aparecimento de notícias que estão em segredo de justiça.
Desde o caso Casa Pia, passando pelo processo Apito Dourado, até ao famigerado Envelope 9, tudo apareceu escarrapachado nas páginas dos jornais, nos ecrãs de televisão e nas ondas da rádio.
Claramente, a preservação das fontes por parte dos jornalistas - já o disse aqui noutra ocasião - é fundamental para podermos ter novidades, consideradas de interesse público, que de outra forma ficariam sigilosas para sempre, para o contentamento de muitos, que, assim, ficariam incólumes.
Depois de há meses ter sido o jornal 24 horas, desta vez foi o site Sportugal a ser visitado pela Polícia Judiciária, que, segundo a advogada deste sítio desportivo, Drª. Catarina de Ávila, terão levado um computador portátil e copiado vários ficheiros informáticos.
O motivo desta apreensão ficou a dever-se ao facto de ter publicado durante algumas horas – não se percebe porque a retiraram – cópia do despacho onde Maria José Morgado determinava a reabertura do processo contra Pinto da Costa, referente a um encontro entre o FC Porto e o Estrela da Amadora, da época de 2003/2004, sobre o qual recaem indícios de corrupção.
Foi público e confirmado pelo Bastonário da Ordem dos Advogados, Dr. Rogério Alves, que este despacho foi enviado a uma dezena de advogados, interessados no processo. Então e só fazem buscas no órgão de comunicação social que publicou a notícia? Porque não as fazem nos escritórios e computadores desses advogados? Não estão eles também sujeitos ao dever de sigilo?
Qualquer dia novidades jornalísticas…só no Continente.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Solidariedade

Temos todos unir os nossos esforços Em conversa com um amigo, ontem à noite, contava-me ele o que lhe tinha acontecido na sua ida ao médico, a Lisboa. Explicou-me com um misto de raiva e saudade.
Nos tempos que correm, em que cada um desconfia do vizinho do lado, é bom saber que ainda há solidariedade.
Trata-se de uma história real. Leia...

Estação da CP, em Entrecampos. São 11:30, vou com tempo...pois o comboio é só às 11:57.
Já a tinha visto ao longe. Pelo porte fisíco, pelos óculos grandes, fez-me lembrar a minha falecida mãe. Ao aproximar-me deu dois passos na minha direcção. Fixei-a. Antes mesmo de dizer fosse o que fosse, percebi que não era uma pedinte normal:
«Senhor, por favor...», o braço estendido, cinco cêntimos na cova da mão que pareciam querer desmentir-me: «Sou das Caldas da Raínha, vim ao médico».
Do saquito, daqueles de papel, que se dão nas lojas, sobressaiam dois ou três, daqueles envelopes dos exames radiologicos: «Fui assaltada no metro, levaram-me a carteira». Não tinha, de facto, a habitual bolsinha que todas as mulheres usam: «Podia-me ajudar com alguma coisa para eu comprar o bilhete para as Caldas?».
Eu sei quando se pede por "ofício" e quando se pede, envergonhado, por necessidade:
«Quanto custa o bilhete?», perguntei, olhando a mísera moeda de cobre de cinco cêntimos que tinha na concha da mão: «Oito euros e 60...». Eu questionei-a: «Mas... foi roubada? Disse à polícia?». Resposta triste e evergonhada: «Sim, mas não podem fazer nada...».
E lembrei-me de quando a minha mãe ainda era capaz de ir sozinha para o IPO. Podia ter acontecido com ela.
E aquela mulher não o podia adivinhar.
Com cinco cêntimos na mão, obra, concerteza, do "descargo de consciência" de alguém que tinha chegado antes de mim, a pobre mulher nunca mais arranjava o dinheiro para poder voltar a casa: «Venha comigo», disse-lhe. E fui à bilheteira onde lhe comprei o bilhete. Da nota de dez euros sobrou 1,40 euros, que lhe dei: «Vá tomar um cafezinho, ou um chá... acalme esses nervos. Tenha cuidado com a mala, na próxima vez. E... tenha uma boa viajem. Fica mesmo nas Caldas? De lá não precisa ir para outro lado? Precisa de mais dinheiro?»
Não sei. Ela virou-me as costas para esconder o que era imposível esconder. Chorava.
Não fui capaz de ficar.
Virei-me, também eu e fui tirar o meu bilhete na máquina. Acendi um cigarro e subi a escadaria.
Se fosse a minha mãe, gostaria que a tivessem ajudado.
E eu não fiquei mais pobre.
Não sou de dar "esmolas" mas senti uma estranha calma interior.
Espero que a senhora tenha chegado bem a casa. E que consiga perceber que...não me ficou a dever nada.


Depois de ouvir a história, não resisti a partilhá-la com todos. Talvez porque ontem, umas horas antes, no supermercado, um homem recusou dar o seu lugar na fila, a uma senhora, que lhe pediu a vez, porque tinha deixado as duas filhas pequenas no carro, só para pagar três caixas de croquetes.
Porque deixámos de ser solidários?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Que frio

Será que vai nevar de novo em Lisboa? Hoje de manhã ouvi na rádio um meteorologista alertando para as descidas de temperatura, nomeadamente as mínimas, a partir de amanhã, piorando lá para quinta-feira, podendo atingir na zona de Lisboa os zero graus. Atenção. Vamos agasalhar-nos.

A nossa vida é feita de histórias, mais ou menos agradáveis e a perspectiva de temperaturas muito baixas, fez-me recordar uma que se passou comigo.
Durante alguns anos, devido a minha actividade profissional, andei por esse País fora. Na altura estava em Nelas, ali nas faldas da serra da Estrela, em pleno Inverno, com o termómetro em baixa. No fim-de-semana, como era habitual, fui até casa, matar saudades da família, mas optei por deixar o automóvel por lá e desloquei-me de comboio, no Intercidades.
No domingo à noite, de regresso, quando me preparava para uma noite de descanso, verifiquei, ao desfazer a mala, que não tinha pijama. Fiquei em pânico, pois o frio era intenso, complementado por um quarto com um aquecimento ineficiente, ou seja, não servia para nada.
Foi a única vez que dormi vestido, debaixo dos cobertores.

domingo, 21 de janeiro de 2007

Não quero fazer outra coisa

Uma imagem da Feira do Relógio, em Lisboa O desafio, desta vez lançado pelo Professor Joaquim Vieira, constava em procurar o lado humano de um vendedor ambulante. E lá fui eu...

Manhã cedo em Alverca, começa a montagem da feira semanal. Ás oito e trinta, já muitas bancadas estão a aguardar pelos fregueses. Quinze minutos depois chega Zé Pedro, Olga Maria e os seus três filhos. O dia de trabalho começa agora.
A montagem da banca inicia-se de imediato, no lugar sessenta e dois, com a ajuda do Costa, companheiro de todos os dias, do Rui, que costuma aparecer por ali, juntamente com os filhos. O sol está envergonhado, pelo que a temperatura fria de uma manhã de Inverno, promove uma instalação rápida.
A preocupação com a imagem não existe. Casacos e casaquinhos, calças, saias, blusas e camisas, são o expoente da oferta, numa mistura de cores e feitios: “Malhas a 5 € e o resto a 10 €”, grita o Zé Pedro, mastigando a sua inseparável pastilha elástica. Os primeiros clientes vão surgindo, simultaneamente com os primeiros pregões: “Tudo a 3 €”, esganiça-se ao lado: “Quatro cuecas a 1 €”, grita-se em frente, numa ladainha que se repete manhã fora.
Alguns, mais retardatários, só chegam perto das dez da manhã. Rapidamente aparece alguém, como é habitual, a troco de alguns euros, para montar o local da exposição. Em poucos minutos, a oferta aumenta para os muitos que vão percorrendo a feira.
A Olga e o Zé não têm mãos a medir, com muita clientela. Apesar das dificuldades habituais da ressaca do Natal, o negócio parece correr bem. Mas logo chegam as queixas: “Os chineses dão-nos cabo de negócio”, referência aos preços praticados pelas lojas exploradas pelos asiáticos, em locais privilegiados.
O frenesim aumenta. No ar misturam-se os cheiros a suor e perfume, que se confundem, na passagem apressada dos visitantes. Procura-se seduzi-los, num marketing explicativo: “Foi tudo roubado esta noite” ou apelativo: “Compre lá que ainda não paguei a farinha das filhós natalícias”.
Várias horas de pé vão trazendo cansaço. O Rui, de sete anos, só com a estreia escolar em Setembro, há muito que está brincar com os amigos habituais. O Pedro e o João, que de semana andam de volta dos livros, vão ajudando, aqui e acolá: “Se eles quiserem seguir neste negócio, eu gostava, mas vou deixá-los escolher”, refere o pai, acrescentando: “Esta é a minha vida” e sem se deter continuou: “Comecei com dezassete anos, gosto da feira e não quero fazer outra coisa”, rematou de forma convicta.
As treze horas chegaram. Os locais de venda começam a ser desmontados. O Costa vai dobrando as peças de roupa que vão esperar outros dias para serem vendidas, num circuito que começa ao sábado em Alverca e termina na sexta na Nazaré, passando, com um dia de descanso à quarta, pela feira do Relógio, Odivelas, Vila Franca de Xira e a inevitável Malveira.
O Zé Pedro vai trocando algumas palavras com os seus amigos, ciganos como ele, poucas vezes respeitados, quase sempre maltratados. A carrinha volta a estar atulhada de regresso ao Sobralinho, localidade de residência.
Amanhã o dia vai nascer com um novo horizonte. O Zé Pedro e a Olga Maria vão lá estar, para fazerem o que lhes dá mais prazer.


Gostei da história que escrevi, com um título que também serve para mim.
Vamos ver se o Prof também gosta.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Monumental

Tenho vindo a revelar, ao longo das postagens muito dos meus gostos pessoais. Um deles, é por telemóveis. Desde que comprei o primeiro, por volta de 1994/1995, já adquiri uma dezena e meia deles. Inicialmente, de marcas diversas, mas depois de comprar um Nokia nunca mais outro.
Ultimamente refreei o meu entusiasmo consumista, mas agora deparei-me com mais um monumento da marca finlandesa. Veja...

Não sei se o vou comprar, mas que o N95 é lindo, lá isso é. E como diria um amigo meu "até dá para telefonar".
Preve-se a sua chegada a Portugal para o primeiro trimestre deste ano a preço ainda desconhecido.